“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores”
Mateus 7:15
Eis quando nos deparamos com a revelação de autênticos “lobos” dentro de determinadas organizações, a nossa primeira reacção é sempre parafrasear que foi um “erro de casting”, talvez sim, talvez não.
Talvez sim, porque a condição basilar na nossa Augusta Ordem, que nos apraz e nos devia diferenciar, é ser “um homem livre e de bons costumes”, e aqui pode nenhuma destas condições ter sido devidamente verificada e comprovada atempadamente. Sendo esta, a terceira das doze regras dos Landmarks Maçónicos.
A vontade de fazer crescer uma oficina pode falar mais alto e aqui a quantidade ofusca quase sempre a qualidade, tal como a pressa costuma ser adversária da perfeição. Ou, pior, quando é estimulado e patroneado por algum “lobo” já no seu interior. E aqui nesta última condição, não diria melhor, diria talvez não, porque quando deixamos os “lobos” evoluírem no interior da organização, serão estes os próprios a chamarem os seus pares de fora para dentro.
Seria importante aqui relembrar a resposta do 1VG à primeira questão do VM na abertura dos trabalhos do Ritual Escocês Antigo e Aceite, que por vezes não é tomada em conta, recordando e citando a questão colocada ao 1VG pelo VM “Irmão 1°VG és Maçon?” e a resposta “ VM, os meus irmãos reconhecem-me como tal”.
Com alguma profundidade, podíamos sem extrapolar muito concluir que não é um avental que faz de um homem um maçon, é necessário continuar o seu trabalho de perfeição para que seja reconhecido pelos seus irmãos, não o sendo reconhecido, não é maçon.
Existe uma incumbência que me foi ensinada na maçonaria que na nossa obediência se recebe homens livres e de bons costumes, para que estes bons homens se tornem ainda melhores e contribuam num trabalho continuo, colectivo e individual para melhorar a sociedade.
O trabalho de aperfeiçoar um homem bom, num homem melhor, quando este é livre e de bons costumes, é um trabalho difícil e continuo, mas quando um homem não é livre e ou não é de bons costumes, é um trabalho inglório porque a maçonaria não transforma homens não livres ou de maus costumes em homens livres e de bons costumes, não existe nenhuma passagem em nenhum rito que se proponha a tal tarefa, mas sim transformar homens bons em melhores.
Uma das grandes preocupações da maçonaria dos dias de hoje é exactamente esta, a selecção e o recrutamento. A nossa organização discreta é vista e acusada por uma grande maioria de profanos como uma organização secreta que usa a sua influência entre os seus membros de forma ilícita para que os seus pares beneficiem entre eles. Esta blasfémia deve ser combatida através de esclarecimento por todos os irmãos espalhados no mundo junto da sociedade civil, clarificando que esta acusação é injusta e não corresponde à verdade. Até porque, a manutenção desta calunia afasta os profanos livres e de bons costumes que se possam vir a aproximar e, contrariamente aproxima sim, a tentação e o desejo dos profanos “lobos”.
Todos nós conhecemos bem, ou deveríamos conhecer bem uma das condições de nos encontrarmos na maçonaria, em que é proibido entre irmãos existir lugar à controvérsia em matérias de política, religião e futebol. Mas reparem que não é preciso entrar na maçonaria para encontrar fora dela homens livres e de bons costumes que conseguem debater qualquer um destes assuntos com toda a tolerância e respeito pela opinião diferente. Sexta das doze regras dos Landmarks Maçónicos.
Na simbologia maçónica podemos ler desde o “Piso Mosaico” à “Romã”. Observemos os pavimentos das nossas Respeitáveis Lojas, o Piso Mosaico, e aqui a simbologia nos transmite tudo. Como pavimento, ele serve também para nos relembrar que o Piso de um Templo Maçónico deve ser pisado por qualquer pessoa, independentemente da sua Raça, Credo e Filiação. Quer isto mesmo dizer que o Piso de uma Respeitável Loja, representa também a própria Universalidade da Ordem Maçónica. O Preto e o Branco no Piso, representa as Dualidades que existem na nossa Vida. A luta do Bem contra o Mal, o vencer a Ignorância através do Conhecimento, o triunfo da Verdade sobre a Mentira, a Luz e as Trevas, a Vida e a Morte, o Espírito e a Matéria, a Pobreza e a Riqueza, bem como a Diversidade do Povos e Culturas que existem.
E independentemente da diversidade existente do pensamento entre irmãos, a Romã vem nos dizer a importância da unidade na diversidade, símbolo da unidade entre os maçons, separados na sua individualidade e personalidade, mas unidos por um ideal comum.
Quando um homem não tolera ou não respeita opinião diferente de outro, não é livre nem é de bons costumes. Aqui garantidamente este homem não é maçon, ou no mínimo não é reconhecido como tal. Não se encontra munido com a capacidade intelectual de ouvir opinião diferente e manter-se na sua própria opinião sem que entre em desavença ou se camufle no tempo com o seu silencio, ou afastado com receio do debate que carece da devida urbanidade e respeito pelo próximo. Quem sabe se o debate não será um bom teste para revelar o “lobo” e destapar a “pele do cordeiro” que o encobre. Um profano que se intitula de homem livre e de bons costumes ao expor-se ao teste de diversas opiniões diferentes da sua, se de facto o for reagirá com a devida tolerância quando exposto à prova.
Existem “lobos” que se aproximam da nossa Augusta Ordem, aqui deveríamos ter alguma cautela, até porque essas aproximações têm como intuito principal a obtenção da protecção divina e como objectivo apenas prosperar os seus negócios ou a sua influência. Até porque, o seu sucesso no seu ofício profano advém unicamente do resultado de um determinado elenco de amigos e não do mérito.
Quem vive de expediente ou apenas de resultados baseados na influência de determinados amigos estratégicos sem mérito e até em detrimento de mérito de outros, não é homem livre nem de bons costumes, logo, não vejo como possa a vir a ser um bom maçon.
Confundir a “beira da estrada” com a “estrada da Beira” nem sempre é ausência de intelecto, mas sim por vezes o refúgio da conveniência. E a decima segunda das doze regras dos Landmarks Maçónicos “…os maçons devem-se mutuamente ajuda e protecção fraternal.”, não pode ser confundida com o favorecimento ilícito sobre negócios, seja ele do foro legal ou moral, em detrimento da sociedade e do mérito. Sob pena da Blasfémia de determinados profanos poder corresponder à verdade.
JF – M∴ M∴

- A Maçonaria e a Guerra dos Tronos (Parte II)
- Faça-se luz
- Teorias sobre a origem da maçonaria
- Pavimento Mosaico
- Simbologia Maçónica

