Reflexão política sob a óptica da Maçonaria

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Estamos às portas de mais uma eleição no Brasil. Brevemente estaremos visitando as urnas eleitorais e elegeremos, para mais um período de quatro anos, os legisladores das câmaras municipais e os futuros governantes dos municípios.

Mais uma vez, vamos tentar escolher aqueles agentes públicos, de bom carácter, que promovam uma gestão transparente, tendo como missão o bem da comunidade em geral.

Historicamente, temos assistidos que a gestão pública, sempre foi gerida de forma não republicana, longe dos princípios democráticos, cívicos e honestos.

Não é o momento, de tecer críticas aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas é o nosso papel, como cidadãos, através do voto, combater a decadência dos costumes e da moral. Para isso é importante saber se os seus candidatos possuem os perfis necessários e que estejam engajados para tais fins.

O papel do Maçom social

É facto e notório que ainda existe no país uma praga chamada corrupção, e a mesma está incrustada em diversos sectores da administração pública.

Afinal, somos Maçons! Não podemos assistir de forma indiferente e como se fôssemos impotentes perante toda esta situação.

Portanto, é necessário que, levantemos a nossa bandeira de mudanças, para combater este quadro que distorce e maltrata a nossa sociedade.

Temos que ter a consciência de que não haverá o tão sonhado desenvolvimento sustentável, se estamos convivendo com os actuais índices de diferenças sociais.

O nosso Irmão Maçom José Airton de Carvalho, sabiamente definiu o conceito da nossa Ordem com as seguintes palavras:

“A Maçonaria é uma Associação universal, filosófica e progressista, que procura inculcar nos seus adeptos o amor à verdade, o estudo da moral universal, das ciências e das artes, desenvolver no coração humano os sentimentos de abnegação e de caridade, a tolerância religiosa e os deveres da família. Tende a extinguir ódios de raça, antagonismo de nacionalidade de opiniões, de crenças e de interesses, unindo todos os homens pelos laços de solidariedade e conjugando-os num terno afecto de mutua correspondência. Procura enfim melhorar a condição social do homem, por todos os meios lícitos, especialmente a instrução, o trabalho e a beneficência. Tem por divisa a   liberdade, a igualdade e a fraternidade”.

Diante desta afirmação, diversas perguntas a ser feitas para se reflectir:

  • “A Maçonaria é ou não é, a instituição que, tem também, por objectivo tornar feliz a humanidade?“
  • “A Maçonaria deve desempenhar na sociedade os seus ideais?“
  • “Estamos a cumprir a nossa missão como Maçons?”
  • “O nosso trabalho tem gerado mudanças benéficas à estrutura desta sociedade?”
  • “O que temos feito para solucionarmos ou pelo menos abrandarmos os problemas sociais?“

É bem verdade que nós Maçons somos cidadãos e estamos inseridos na sociedade, portanto, também somos vítimas de toda esta situação.

O postulado maçónico deve estar acima das nossas convicções pessoais, sendo esta a nossa verdadeira missão, pois faz parte da nossa filosofia, o sentimento de cooperação entre os homens.

É muito comum dizer que em sessão maçónica não se discute religião, política e futebol, ou algum assunto fora da ritualística.

Existe um equívoco na interpretação do papel da Maçonaria, como organização e no papel do Maçom, missionário no crescimento social

A Maçonaria é uma instituição, com os seus princípios e ritos legais, não promove levantes e abstém-se de se envolver em assuntos políticos e religiosos.

Os Maçons são homens livres e dotados de conhecimentos que manifestam as suas opiniões pessoais, alicerçados nos princípios da moralidade e do civismo, que podem influenciar a sociedade dando bons exemplos.

Mas nada impede que, os mesmos, tenham opiniões pessoais, sobre as suas preferências políticas, sobre as suas crenças religiosas e/ou que tenha um clube/equipa do coração.

Ao longo da história, diversos factos aconteceram, em que os Maçons foram os principais protagonistas.

Como exemplos a Revolução Francesa, a independência americana, a independência de diversos países da América, a independência do Brasil, a abolição da escravatura, a proclamação da República e muitos outros.

Em palestra proferida, em 24/05/2007, o nosso irmão, cantor e compositor Zé Rodrix, diz “… o Brasil é nossa responsabilidade …

Ele cita exemplos do que acontece no Parlamento Brasileiro: “Lá existem as bancadas de evangélicos, de ruralistas, de mulheres, existe ainda até a bancada de criadores de cão de fila, onde os membros dessas bancadas sempre votam juntos, em matérias dos seus interesses. ”

Ele disse, que naquela época, existiam 83 irmãos maçons ocupando cargos electivos, entre o Senado e a Câmara dos Deputados.

Ele pergunta: “alguma vez, tais irmãos, se reuniram como Bancada Maçónica? ”

“E seria tão simples a Bancada Maçónica se reunir e votarem maçonicamente, nos assuntos dos nossos interesses”…

Continuando, disse: “Mas nós cometemos um engano. A gente ao invés de tirar os melhores homens, que temos aqui dentro da Maçonaria e levar para Brasília, isso não acontece, os irmãos Maçons são escolhidos aleatoriamente, e lá, em Brasília, alguém pergunta: quem quer ser Maçom? O cara levanta a mão e é aceito! A partir daí deixam ele se prestigiar com título de Maçom. Para nada? Para nenhuma acção benéfica? ”

“Política é outra coisa, assim como religião é outra coisa! ”

“Mas alguém em determinado momento, na história da Maçonaria, nos aconselhou que Maçom não discute política e religião”.

“Mas isto não é verdade, ao longo da vida da Maçonaria, foi sempre discutir a política e religião”.

“É bem verdade, em nome da ética, que não vamos discutir política partidária e religião sectária. Se o meu partido político é melhor que o seu e nem a minha igreja é melhor do que a sua. “

“Mas o território da política e o território da religião, são exactamente onde a gente age, são os territórios que tem mais a ver com Liberdade, Igualdade e Fraternidade. ”

“Então, a gente vai abrir mão disso? ”

“Mas, aqueles caras que estão lá em Brasília, não estão nem aí. Eles estão lutando pelos os seus interesses! ”

Conclusão

Vou tomar emprestado a definição, do irmão Thomas Jackson, na sua obra sobreA postura da Maçonaria diante do futuro”, para ele:

“A Maçonaria impactou o mundo tornando homens bons em homens melhores, estimulando o seu intelecto, incentivando a participar da melhoria da sociedade. Foi assim que os maçons perfeiçoaram a sociedade. A Maçonaria serviu de ferramenta educacional e forneceu o ambiente no qual os bons homens construíram ideias e criaram os ideais de uma sociedade democrática. O mundo só é o que é hoje porque a Maçonaria existe, e a Maçonaria só existe hoje porque assumiu a responsabilidade de aperfeiçoar os homens.

(Pesquisa: Izautonio Junior)

Elson Levi Eustáquio Pinto – M. M. – Loja Cláudio das Neves nº 1939 – GOB.

Fontes

  • Diversos textos maçónicos e jornalísticos.

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