
Questão apresentada em 08/11/2013 pelo Respeitável Irmão Germano Vieira Filho, Loja Philantropia e Ordem, nº 1664 REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro.
Gostaria que esclarecesse as diferenças, se é que elas existem sobre o Rito de York, é a mesma coisa que o Emulação? E o que é o Craft?
Considerações
O Trabalho de Emulação é parte integrante do Craft Inglês, ou o sistema de Maçonaria inglesa comandada pela Grande Loja Unida da Inglaterra.
Esta Grande Loja é oriunda da união no ano de 1813 das duas Grandes Lojas rivais na Inglaterra – a primeira fundada em 1717 em Londres também conhecida como os Modernos e a segunda fundada em 1751 em oposição aos Modernos de 1717 autodenominada de os Antigos que acusavam a primeira de alterar as tradições.
Estas escaramuças durariam até o final do ano de 1813 quando bem preparada houve a união das duas Grandes Lojas rivais consolidando o sistema da Maçonaria inglesa.
Em linhas gerais a Grande Loja Unida da Inglaterra (fruto dessa união) não adoptaria o sistema de ritos, senão “trabalhos” no Craft inglês que não edita ritual e respeita os aspectos culturais e regionais da Maçonaria no Reino Unido.
A Grande Loja determina uma espinha dorsal para o Craft que é seguramente respeitado dando oportunidade às regiões inglesas praticarem o “working” conforme as suas tradições sem se afastar, contudo da essência e linha de conduta maçónica, seja ela ritualística, seja ela no seu objectivo social.
Este sistema é conhecido por Craft o que em linhas gerais corresponde ao Grémio, ou Corporação Maçónica desprendido do rótulo de Rito, conforme os conhecemos.
Outro particular do Craft, ou Trabalho, Corporação, Agremiação, na Inglaterra é o respeito pela universalidade maçónica reconhecida única e exclusivamente por três Graus simbólicos, ou o Franco-maçónico básico.
Graus de aperfeiçoamento conhecidos como side-degrees são de responsabilidade das Lojas (Graus Laterais) desconhecendo-se o título de “superiores” ou “filosóficos”.
Assim o sistema inglês conhecido como Craft reconhece os “Trabalhos” rotulados como o de Emulação, Humber, Sussex, Taylor’s, Bristol, West End, dentre outros.
Agora o sistema Norte Americano de Maçonaria, ou o Craft Norte Americano, comumente por nós conhecido como Rito de York, cuja origem está também na Inglaterra, porém especificamente relacionado à prática daquela Grande Loja de 1.751 anteriormente citada como Grande Loja dos Antigos.
Em linhas gerais o sistema Norte Americano fora organizado por Thomas Smith Webb que manteve o costume dito “antigo” daquela Grande Loja evocando para si na oportunidade a lenda de uma reunião de maçons operativos em 926 na pequena cidade de York, a nordeste de Londres, constituindo-se uma espécie de Meca da Maçonaria tendo o Rei Athelstan e o seu sobrinho Edwin como protagonistas principais do mítico lendário.
Como dito isso não possui uma fonte de história tão fidedigna, todavia serviu como base lendária para estratificar o conceito dos auto-intitulados “antigos” pelo Maçom irlandês Lawrence Dermott a partir dos meados do Século XVIII em solo inglês.
Por razões políticas os Norte-americanos ainda como integrantes da colónia inglesa que pleiteavam a sua independência adoptariam a Maçonaria oriunda dos “antigos” que na Inglaterra, como visto, se opunha aos “modernos”, estes fortemente ligados ao trono inglês.
Por estas razões óbvias os pretendentes da independência territorial adoptariam uma Maçonaria contrária aos seus senhores colonizadores.
Dada esta breve pincelada o Craft Norte-americano geralmente conhecido como York diferencia-se do inglês com os seus respectivos “Trabalhos”, ou o “Working”.
O sistema Norte-americano adopta Graus acima dos seus três Graus Simbólicos como modo de aperfeiçoamento – por exemplo: os Maçons do Real Arco.
As Lojas simbólicas americanas, também conhecidas como “Lojas Azuis”, são organizadas em cada estado nas Grandes Lojas Estaduais dos Estados Unidos da América do Norte.
Estabelecendo-se um breve comparativo os Trabalhos de Emulação (inglês) não são a mesma coisa que Rito de York (americano).
Entre estes, apesar da mesma raiz, existem significativas diferenças litúrgicas e ritualísticas, além das próprias concepções topográficas e lendárias das respectivas Salas das Lojas.
Dado o espaço exíguo e complexidade do assunto esta pequena explicação talvez lhe possa despertar a atenção para um melhor conhecimento sobre o assunto.
Infelizmente e para engrossar ainda mais o caldo, no Brasil ainda existe a confusão por equívoco histórico de tradução e reconhecimento quando do ingresso da Maçonaria inglesa em território nacional brasileiro no início do Século XX.
Naquela oportunidade o Grande Oriente do Brasil adoptaria o Craft inglês com o Trabalho de Emulação, porém equivocadamente nominado como Rito de York.
Isto bastou para o mistifório que permanece ainda hoje, e para piorar a situação, existe agora a salutar profusão actual do Rito de York, só que do Craft Norte-americano em solo brasileiro.
Pedro Juk, M. M. – Secretário Geral de Orientação Ritualística do Grande Oriente do Brasil

- Peculiaridades do trabalho de emulação no Ritual de Emulação
- A Maçonaria em Inglaterra e a Emulação
- A indumentária Maçónica
- O poder do perdão
- Teorias sobre a origem da Maçonaria


Algumas citações de maçons famosos:
– Robert Macoy = A Dictionary of Freemasonry, 1869: “O rito de York é o mais amplamente difundido dos ritos, envolvendo quatro-quintos dos maçons do mundo. É o rito predominante na Inglaterra, Escócia, Irlanda, seus distritos, e nos Estados Unidos da América, e é praticado de forma modificada por várias das Grandes Lojas Europeias”;
– Adolphus F. A. Woodford = Kenning’s Masonic Cyclppaedia, 1878: “Rito de York é uma expressão que se refere à Maçonaria Simbólica; mas certamente não com precisão pois os “maçons de York” há muito pararam de trabalhar e manter o nome leva muitos a acreditar que a Maçonaria de York continua ativa. Usar “Rito Inglês” ou o “Rito Americano” etc, seria muito mais apropriado e exato”;
– Robert Freke Gould = “The Concise History of Freemasonry, 1903: Os três graus simbólicos são comumente denominados na América do Norte, mas de forma errada, como Rito de York, uma expressão que tem origem em 1756 nos Maçons “Antigos” que se faziam supor serem ‘Maçons de York”. “Histórias fictícias têm sido comuns em todas as épocas, e o ramo particular da maçonaria está incluída, tem sua quota-parte completa delas.” “Nunca houve – exceto na imaginação dos escritores americanos – um rito de York);
– Harry Carr = “O título ‘Rito de York’ apresenta muitas dificuldades, porque ele não surge de um fato, mas de uma tradição que remonta ao rei Athelstan que autorizou o príncipe Edwin a convocar uma grande assembleia de maçons em York, em 926”;
– Dr. S. Brent Morris = Os altos graus nos EUA: “Em 1830 existiam Grandes Conselhos em dez estados. Sob a influência do texto de Cross e de outros monitores, o grau de Mestre Seleto acabou por ser visto como um grau que culminava a “Antiga Maçonaria”, ainda que os Conselhos existissem apenas em algumas áreas metropolitanas e os seus graus estivessem disponíveis apenas para alguns. Este é provavelmente o início do “York Rite” Americano, consistindo num Capitulo de Maçons do Arco Real, um Conselho de Mestres Reais e Seletos e uma Comandaria de Cavaleiros Templários.”); (“A expressão “Rito de York” (obs: referindo-se aos altos graus) provavelmente começou nos Estados Unidos (obs: por volta de 1830) como uma expressão conveniente para distinguir um Cavaleiro Templário de um Maçom do grau 32 do Rito Escocês”.
1) Será que hoje em dia, (se é que algum dia já foi), os graus simbólicos Norte Americano é parte do York rite (formado por “Royal Arch Masons”, o “Cryptic Masons” e o “Knights Templar”)? Os graus simbólicos nos EUA ainda é denominado de “York rite” (como já foi até final do século XIX)?.
Observando os sites das Grandes Lojas americanas não se encontra qualquer referência de que seu ritual faz parte do “York rite”, ou é assim denominado. Seria no mínimo estranho, pois parece que os Mestres Maçons daquele país que decidem “seguir em frente” preferem o Scottish rite e não o York rite.
2) Afirmar que a Maçonaria Americana optou pela “Maçonaria oriunda dos ‘antigos’” parece que não tem precisão. Nem “antigos” nem “modernos” fazia oposição ao trono britânico. que na época Lembremos que na época da independência dos EUA o Grão-Mestre dos “antigos” também era membro da família real, e irmão do GM dos “moddernos”, e que pelo menos até 1751 as “lojas inglesas” que se instalaram nos EUA tinham carta constitutiva dos “modernos” (já que os “antigos” não existiam), e tanto “modernos” quanto “antigos” influenciaram a maçonaria nos EUA. A influência de ambas está hoje em dia plasmado no título das Grandes Lojas Estaduais, sendo 24 as Grandes Lojas “Ancient Free and Accepted Masons”, e 25 “Free and Accepted Masons”.
3) Comparar o “Emulation ritual” com o “York rite” simplesmente não faz sentido. Nos EUA o York rite é uma denominação (apenas uma denominação, não tendo personalidade jurídica) que se dá ao conjunto de três Corpos independentes, quais sejam, o “Royal Arch Masons”, o “Cryptic Masons” e o “Knights Templar” (não incluindo, portanto, os graus simbólicos), enquanto que o Emulation ritual seria o “inonimado” ritual “da reconciliação” que foi apresentado pela Reconciliation Lodge em 1816, e aprovado pela Grande Loja, e que com o passar do tempo passou a receber o nome da Loja de instrução, a Emulation Lodge of Improvement, fundada em 1823 para apresentar as preleções dos três graus, e que na década de 1830 passou a demonstrar o próprio ritual.
4) Dizer que no Brasil o GOB denomina o craft inglês de “Rito de York” por um erro de tradução, é um equívoco: tradução do quê, e quando? Seria do primeiro ritual inglês (Perfect ceremonies, e não o Emulation ritual) traduzido em 1920? (Obs.: o Emulation ritual teve a primeira edição impressa só em 1969); ou do tratado GOB x UGLE de 1912? (obs.: este tratado de 1912 foi escrito em português e depois traduzido para o inglês – se há algum erro de tradução, está na versão em inglês e não em português). Bem, esses dois argumentos estão equivocados, pois a denominação “Rito de York” já era oficial do GOB: – a Constituição de 1907, no artigo 22, cita o rito de York como um dos ritos praticados pelo GOB. Devemos considerar que há registros de que no Brasil se denominava de Rito de York ao Craft inglês, desde pelo menos 1834. Portanto, a denominação “Rito de York” sempre foi utilizada no Brasil para se referir ao work inglês), assim como também era usado para se referir à Maçonaria dos Estados Unidos e Inglaterra até o século XIX. Albert Mackey em seu “A Lexicon of Freemasonry” (1845), para “York rite” explica que “O rito antigo de York é praticado por todas as lojas Inglesas e Americanas, embora tenha se desviado um pouco de sua pureza original”. Outros proeminentes escritores, americanos e ingleses, do século XIX, fazem referência ao uso da denominação de “york rite” ao craft inglês (com a desaprovação de alguns).