Saudação Maçónica do Oriente

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A nossa sociedade ocidental moderna tem suas raízes plantadas no humanismo renascentista, de onde também vieram as influências culturais da Maçonaria. O que vivemos no nosso dia-a-dia é o resultado de longo caminho de desenvolvimento cultural. Passou pelo pensamento grego, pelo direito romano e assimilou a filosofia cristã. Ao compreender o mundo no qual se vive entende-se a sociedade em que se está imerso. Deste entendimento depende como cada cidadão se porta e vive em sociedade e a expressão desta é revelada pelos mitos, religiões e filosofias que desenvolve.

Toda a cultura humana está alicerçada no pensamento filosófico e isto era o que os fundadores da Maçonaria do século XVI tinham interesse. Desde então ocorreram enxertos e modificações, algumas linhas de pensamento trouxeram desde longínqua idade do homem influências às quais nada se pode debitar no aspecto evolucionista da Maçonaria. Em essência, a Maçonaria apenas usa das antigas crenças, ciências e religiões o indispensável para auxiliar na formação da cultura maçónica, porque é isto que os adeptos possuem nas suas bases culturais ao serem iniciados.

Exemplo de ciência morta é a Astrologia; há muito que os vaticínios desta antiga ciência foram superados pela astronomia e tecnologias. As colunas zodiacais existem nos nossos templos como referência para orientação simbólica no Universo; é sabido da física elementar que sem referencial não existe apoio sensorial ao deslocamento pelo Universo, e a Loja é uma simulação do Universo tridimensional.

Na religião a influência dos deuses e deusas do antigo Egipto na Maçonaria serve de referência e não como deuses a serem venerados, daí excluir qualquer tipo de adoração, inclusive a Jeová, o Deus exclusivo dos judeus e cujo nome a maioria das religiões cristãs não usam. Na Maçonaria criou-se o conceito de Grande Arquitecto do Universo, que não representa o Deus de nenhuma religião. Esta foi uma das grandes invenções dos criadores da Maçonaria, pois possibilita cada crente adaptar o conceito às suas próprias necessidades de adoração e representações antropomórficas ou espiritualistas. No Rito Escocês Antigo e Aceito, em todos os graus, as representações divinas são influenciadas pelas linhas filosóficas do judaísmo e do cristianismo no seu culto a Jeová, expressas pelo iod inserido no delta do oriente da Loja simbólica e outros símbolos da filosofia maçónica do Rito.

Se numa Loja maçónica não existe culto de adoração a deuses, então o que realmente é saudado pelo Maçom no oriente? Certamente não é o iod, a primeira letra do nome de Jeová em aramaico! Nem qualquer outro objecto ou criatura do oriente. Maçonaria não é religião! Por simples exclusão é possível determinar que a saudação seja exclusiva para a representação simbólica da coluna da sabedoria, cujo guardião é o venerável mestre. E se esta é saudada cerimonialmente, o que existe por detrás desta demonstração de respeito marcial. Ali acontece o homem e a sua filosofia; o amigo da sabedoria que todo Maçom é por definição desde a sua iniciação.

Existem diversas maneiras de interpretar filosofia: atitude de vida individual; conhecimento impossível de provar; conhecimento abstracto e teorias lógicas; modo de ver o Universo e a realidade; representação teórica da ilusão que os sensores induzem ao ser. Em essência, filosofia é apenas conhecimento, certo tipo de conhecimento. É a ciência preocupada com o todo, que vai fundo na revelação especulativa da realidade. Não se trata de matemática, astrologia, astronomia ou medicina; cada ciência destas foi influenciada pelo filosofar, pela busca em profundidade do sentido de totalidade que os gregos denominaram sabedoria, em grego “sophía“. O homem que se dedicava a acção do pensamento para discernir o Universo que o cercava era denominado sábio, em grego verbalizado “sophós“, ou simplesmente amigo, em grego “phílos“; amigo da sabedoria.

A existência dos amigos da sabedoria cunhou o verbete “filosofia”. Depois dos gregos, a filosofia passou pela idade média e chegou aos nossos dias com outra aparência, porque ela mesma passou a ser criticada pelos filósofos. De ciência de todas as coisas, da totalidade, e de suas causas primeiras ela acaba fragmentada em: filosofia experimental ou empírica, reflexão crítica das ciências ou epistemologia, positivismo, filosofia analítica, dialéctica, e assim por diante. Isto não diz alguma coisa a respeito da diversidade de ritos que a Maçonaria alberga?

Na Maçonaria não interessam os detalhes da divisão da filosofia. A assimilação cultural filosófica maçónica, mesmo dentro da mistura de pensamento grego, direito romano e filosofia cristã possibilita obter rico e explicito conhecimento a respeito da sociedade ocidental e o que esta pensa de si. O filosofar maçónico não visa erudição, antes, provoca os seus adeptos para pensarem em temas da sociedade nos quais já estão experimentados e familiarizados, mas impedidos de pensar nestes devido às actividades do dia-a-dia. O sistema humano é cruel quando aprisiona a grande massa em condições de autómatos vivos, sem possibilitar tempo à contemplação e recolhimento. É disto que o Maçom foge nas suas reuniões. Nestas ocasiões é desperto para assuntos que já são do seu conhecimento, mas jazem sepultos debaixo da busca do sustento e em virtude das vicissitudes que a vida apresenta.

Para tal objectivo são utilizadas filosofias usadas pelas religiões, mas apenas como coadjuvantes ao grande objectivo de conduzir cada Maçom ao autoconhecimento visando o bem da sociedade. Não significa proselitismo religioso quando são introduzidos conceitos cristãos – poderia ser budista, hinduísta, vedanta, egípcio, islâmico, ou outro. Quando aparentemente defende princípios da democracia cristã não significa propaganda ideológica – poderia ser democracia: directa, indirecta, representativa presidencialista, semipresidencialista, parlamentarista; ou sistemas oligárquicos como: meritocracia, gerontocracia, plutocracia, tecnocracia, etc. Qualquer sistema ideológico político e religioso que respeita liberdade, igualdade e fraternidade é caminho para facilitar a transmissão de conhecimento filosófico alicerçado no que cada Maçom já tem em si. O que já é bom torna-se melhor. Nada de perfeição, esta pertence ao Grande Arquitecto do Universo, o Maçom busca nas suas Lojas apenas uma condição aperfeiçoada.

Partindo do princípio que para entrar na Maçonaria o homem já deve ser dotado de luz espiritual, quando se exige dele a crença em Deus para ser iniciado, ocasião em que vem desejoso de ver a luz simbólica do conhecimento, da sabedoria, tornar-se amigo da sabedoria, viver a especulação maçónica, filosofar. Logo depois, na ritualística de suas sessões de trabalho, o que ele saúda no oriente é o facto de ver ali, simbolicamente, a luz do conhecimento que pediu e para o que trabalhará arduamente para dela se nutrir. Esta é representada simbolicamente pela diminuta coluneta jónica que nunca é deitada e está sempre à disposição.

A luz está ali à sua disposição, basta pensar na totalidade dos problemas do agrupamento de seres que vivem em estado gregário ao seu redor e levantar ideias para melhorá-la, que o representado pela coluna do venerável mestre não será apenas visto, mas internalizado. Num dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito aprende-se que a sabedoria não emana do Venerável Mestre, Orador ou Vigilantes, a sabedoria está potencialmente dentro de cada coluna que cada obreiro é quando filosofa e melhora a si mesmo.

Sessão maçónica não é mera leitura de actas, expediente e planeamento de festas; a essência do trabalho é o filosofar maçónico. Significa: auto-educação; humanização; fomento e manutenção de amizades fraternas; pratica da beneficência; patriotismo; servir a humanidade; desenvolvimento de empatia; superação de vícios; controle de paixões desenfreadas e degradantes; evitar a maledicência; tudo alicerçado no desenvolvimento do filosofar maçónico; a conquista da luz simbólica do conhecimento maçónico. A busca desta luz é tarefa individual intransferível! Ninguém a dá e constituem os louros da vitória de uma longa jornada, ao final da qual, o Maçom dá honra e glorifica a maravilhosa obra criativa do Grande Arquitecto do Universo.

Charles Evaldo Boller

Bibliografia

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One thought on “Saudação Maçónica do Oriente

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    Irmão Charles, com todo respeito, a Astrologia não é uma ciência morta, muito pelo contrário. A Astrologia Científica continua sendo utilizada por astrólogos profissionais no mundo todo e nada tem com a horoscopia vulgar dos jornais. O estudo sério desta ciência hermética nos fornece uma ampla visão de nós mesmos e do mundo que nos cerca hoje assim como era utilizada pelos sábios há milênios. Existem associações sérias e comprometidas com a Astrologia em todo o mundo. Sugiro se atualizar quanto a esse assunto.
    Respeitosamente,
    Alberto Feliciano

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