Simbolismo dos números na Maçonaria – O número Quatro

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quatro

A manifestação do Absoluto, traduzida naquilo que chamamos de “Criação”, procedeu do quatro interior para o exterior daquele Absoluto, para se exteriorizar, de maneira objectiva, em tudo o que se compõe o Universo.

Vimos nos estudos anteriores, a existência do ZERO, simbolizando o Espaço ilimitado, sobre o qual, ou no qual, “pairava” o Espírito de Deus, ou seja a potencialidade ainda não manifestada. Tal potencialidade é a representação do Pai, no qual se encontram todas as possibilidades criadoras.

A presença do Pai, representada pelo ponto YOD situado no centro do círculo (ZERO), é a primeira diferenciação do Absoluto, preparando-se para iniciar o trabalho da Criação. Do ponto parte um Raio de Luz Cósmica, que é a manifestação do Pai, simbolizada pelo número UM. Vimos, ainda que este Raio de Luz Cósmica se dissocia em DOIS raios angulares “contrários” que se afastam progressivamente na involução. Estes DOIS raios representam a Mãe, ou seja, a Natureza, onde operará a Vontade do Pai. A acção desta Vontade do Pai sobre a Mãe resultará, simbolicamente. na união dos números UM e DOIS, para formarem o TRÊS, representante simbólico da TRINDADE que é a manifestação perfeita e total.

Importante é saber-se que a manifestação destes três primeiros Princípios se verificou apenas no campo metafísico e, assim, não obstante a sua verificação, nada existia ainda de material. Para que o trabalho da Criação passasse do terreno da manifestação metafísica para o terreno físico da materialidade, a TRINDADE emanou de Si, através de vibrações diferentes, QUATRO elementos básicos à formação do mundo material.

Estes QUATRO elementos, a que a Bíblia se refere como Elohim, são divindades para a Teologia. Elohim é o plural de Eloá, palavra hebraica que significa Deus. Esta palavra é empregada na Bíblia de duas maneiras diferentes: acompanhada de um verbo no singular, designa o verdadeiro Deus. Neste caso, o plural da palavra é um plural por excelência. Ao mesmo tempo, o singular que o verbo conserva, denota a unidade de Deus. Acompanhada de um verbo ou qualificativo no plural, a palavra Elohim aplica-se, ora aos deuses estrangeiros, ora aos anjos ou aos homens fortes e poderosos. No campo da Física, no entanto, podemos conceber estes Elohim como sendo os eléctrons que se combinam de diferentes formas constituindo os átomos materiais da grande variedade de corpos químicos de que se compõe o Universo. É interessante verificar-se que os eléctrons nada mais são que manifestações imateriais de força que se “materializa” para formar os átomos, A Química Filosófica de há muito chamava a atenção para o fenómeno da “desmaterialização” quando os átomos materiais eram divididos dando origem a eléctrons imateriais.

Assim, temos hoje comprovada nos laboratórios científicos aquilo que, até aqui, tinha sido objecto das nossas cogitações filosóficas. Mas, prossigamos no nosso estudo sobre o numero QUATRO. Os Elohim emanados da TRINDADE foram aqueles a que os antigos denominavam de QUATRO elementos, ou sejam A Água, o Fogo, a Terra e o Ar. Os conhecimentos que hoje possuímos informam-nos de que a Água nada mais e do que a combinação do Hidrogénio com o oxigénio; a Terra, uma combustão do Hidrogénio com o Oxigénio; o Fogo, uma combustão de Hidrogénio em presença do Oxigénio; a Terra, um complexo de rochas formado das mais variadas combinações e misturas de sais minerais e o Ar, é uma mistura do Oxigénio com o Nitrogénio. Assim, hoje, não podemos, segundo os conceitos modernos de Química, considerar aqueles corpos como “elementos”. Mas, sob o ponto de vista filosófico, esta conceituação é perfeitamente normal para indicar que tais elementos são Forças da Natureza e não componentes dos corpos. É sob este aspecto que os temos de considerar no nosso estudo.

Infelizmente não podemos hoje aceitar os termos filosóficos dos conhecimentos antigos com a mesma conceituação que lhes era atribuída. Por isto seremos forçados a esclarecimentos e comparações que possamos justapor estes conceitos – antigos e modernos – afim de que não seja prejudicada a nossa interpretação. É necessário, porém, que, ainda que às vezes possam parecer absurdos certos conceitos, não devemos perder de vista o facto de que as nossas cogitações são filosóficas e não materiais.

Diz a Física moderna que “Força é tudo aquilo capaz de produzir ou modificar o movimento”. Já a Filosofia ensina-nos que “Força é o Espírito que penetra na matéria causando nela vibrações”. A Energia UNA, procedente do Absoluto, se diversifica e toma aspectos diferentes sendo assim o Espírito, a Vida, etc.

A numerologia prefere não ver nos QUATRO elementos os Elohim, isto é, não os reconhece como Divindade pois estas são apenas as TRÊS que formam a TRINDADE nos seus TRÊS aspectos. Dá-lhes – aos QUATRO elementos – a classificação de “Princípios” formadores de todos os elementos materiais.

Os versículos 26 e 27 do Capítulo 1, do Génesis informam-nos que:

  • 1, 26 – “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança: tenha ele, etc., etc.
  • 27 – Criou, Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.

Segundo o texto bíblico o homem é a imagem de Deus conforme a Sua semelhança. Isto leva-nos a concluir que o homem veio directamente de Deus e, na Filosofia Maçónica, como na Cabala, o número QUATRO é o que simbolicamente traduz esta separação aparente em que o homem “sai” de Deus. Aliás, na Natureza todos os seres vivos provêm de outro ser vivo que lhe é igual ou semelhante. É o “ovo ab ovo” dos filósofos! Na reprodução agâmica vemos uma célula dividir o seu núcleo (cariocinese) e contrair a sua membrana dividindo assim o seu citoplasma para dar lugar ao aparecimento de duas novas células iguais. Nos vegetais, assistimos à reprodução pelo simples destacar de um dos seus galhos que, plantado, dará lugar a um outro vegetal semelhante ao primeiro. Assim, o homem “saiu” de Deus à Sua imagem e conforme a Sua semelhança.

Enquanto os números UM, DOIS e TRÊS, se relacionam com as manifestações da Vontade Divina no campo da Metafísica, o QUATRO realiza, no mundo material, aquelas manifestações. O sentimento de Amor que leva o Pai e a Mãe a conceberem a ideia de um Filho, pode ficar apenas no campo das pretensões enquanto a estes três elementos – Pai, Mãe e Filho – não se juntar um QUARTO, ou seja, o elemento capaz de tornar material aquela ideação.

A Doutrina Secreta ensina-nos que o disco simples é a primeira figura representativa do espaço absoluto, a segunda é o disco com um ponto no seu centro, significando a primeira diferenciação da Vontade Divina; a terceira é a fase em que o ponto se transforma em diâmetro, simbolizando a Mãe-Natureza, divina e imaculada, no Infinito Absoluto que abrange todas as coisas. A QUARTA fase verifica-se quando uma linha vertical, dentro do disco, corta ao meio o seu diâmetro e forma uma Cruz que simboliza que a humanidade alcançou a Terra. A Cruz não deve ser encarada, pois, como um símbolo de morte, mas, antes, como o signo do Começo da vida humana – o desaparecimento do círculo, ficando apenas a cruz, representa a queda do homem na matéria!

A Cruz, símbolo da Vida, tem os seus QUATRO braços representando os QUATRO elementos formadores da matéria. O dualismo da Divindade nos seus aspectos imanifestado e manifestado está encerrado nos “contrários” presentes nos QUATRO elementos.

Assim, a Água, pela sua passividade, pela sua placidez e pela sua umidade, se antepõe ao Fogo, com a sua ebulição, com a sua secura; a Terra, pela sua dureza, pela sua complexidade e pela sua extrema densidade, se contrapõe ao Ar, com a sua leveza, com a simplicidade dos seus componentes e pela sua mínima densidade. Os ocultistas vêem as Três Unidades Primárias manifestando-se na Natureza através dos QUATRO elementos e fazem o Fogo, do Ar pelo calor, reacção esta que traz a condensação em forma de Água e esta, em presença do Fogo, dá lugar à formação da Terra. Esta era, ou é, a explicação mais razoável que eles encontram para, a formação dos elementos através da sua própria interacção!

Mais interessante, porém, é a consideração filosófica que conduz o problema para a esfera moral onde dá ao Fogo os atributos da “vontade” do ser que se associa ao Ar, representante do “pensamento”, para darem origem à Água, símbolo do “desejo” e das “emoções” que se manifestam na Terra como “acção” e “dinamismo”.

Entrando-se no pensamento filosófico temos de ver os QUATRO elementos como simples envoltórios físicos dos Elohim da Água, do Fogo, do Ar e da Terra, entidades imateriais que os governam. Assim há que se fazer urna nítida a diferenciação entre o elemento e a entidade que o comanda. No homem, estas entidades dos QUATRO elementos exercem grande influência conforme a dominância que sobre ele exerçam. Quando a entidade do Fogo domina o homem ele torna-se violento e irascível, o seu temperamento é conhecido na Psicologia como sendo “bilioso”; se são as entidades do Ar que o comandam, ele mostra-se com atributos de inteligência e reflexão, um temperamento dito “sanguíneo”; as entidades da Água influem no sentido de tomá-lo sensitivo e impressionável, com um temperamento tipicamente “linfático”; finalmente, as entidades da Terra outorgam-lhe características de grande actividade e constância nas suas determinações. O seu temperamento é, então, “nervoso”.

A luta do homem consigo mesmo deve ser no sentido de dominar os QUATRO elementos inferiores a fim de poder usufruir os benefícios das entidades puras que os governam e transformá-los em princípios superiores, de vibrações benéficas e harmoniosas que o elevarão, espiritualmente, até aos páramos da UNIDADE onde ele, integrando-se novamente no círculo de onde foi originado, possa dizer, como o disse o Mestre Jesus: “Eu Sou”!

Recomendam os ocultistas que o homem deva exercer a sua inteligência, simbolizada pelo ponto central do círculo onde se intersectam as duas linhas – horizontal e vertical – que formam os braços da Cruz, a fim de dominar os QUATRO elementos inferiores. Indicam o caminho a ser seguido para esta dominância como sendo a da extirpação de todas as paixões possessivas e grosseiras até se chegar à impersonalidade, como o meio de se dominar os elementos inferiores da Água; os instintos animais deverão ser vencidos para que sejam dominados os elementos do Fogo; uma concentração perfeita é recomendada para a vitória sobre os elementos do Ar e, finalmente, uma vida física racional, onde os princípios de higiene do corpo, um comedimento na alimentação e uma respiração adequada, o capacitarão a se sobrepor aos elementos inferiores da Terra!

Simbolicamente, temos o Triângulo como a representação do mundo Divino e o Quadrado é a representação do Templo de Deus no homem.

Muito mais se poderia falar acerca do simbolismo do número QUATRO. Ao Companheiro, contudo, parece-nos que basta o que até aqui ficou dito para ter ele uma ideia sobre a importância filosófica do número.

Boanerges B. Castro

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2 thoughts on “Simbolismo dos números na Maçonaria – O número Quatro

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    Uma matéria de excelência; parabenizo o, pois!

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    Indicam o caminho a ser seguido para esta dominância como sendo a da extirpação de todas as paixões possessivas e grosseiras até se chegar à impersonalidade, como o meio de se dominar os elementos inferiores da Água; os instintos animais deverão ser vencidos para que sejam dominados os elementos do Fogo; uma concentração perfeita é recomendada para a vitória sobre os elementos do Ar e, finalmente, uma vida física racional, onde os princípios de higiene do corpo, um comedimento na alimentação e uma respiração adequada, o capacitarão a se sobrepor aos elementos

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