Viver entre os que têm certeza

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certeza

“Convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”

Nietzsche

Viver em sociedade é inevitavelmente viver entre ideias. Algumas transitórias, outras fixas. Mas há uma classe de pessoas que parecem carregar certezas absolutas, inabaláveis, sobre o mundo, os outros e o que deve ser feito. Como conviver com quem se recusa a duvidar? Como manter o pensamento vivo em meio ao dogmatismo quotidiano?

Viver é, por si só, um acto de incerteza. É lançar-se ao desconhecido a cada manhã, quando se desperta, e seguir caminhando por uma estrada cujos contornos mal se consegue discernir. No meio deste cenário, encontram-se pessoas que, paradoxalmente, parecem carregar certezas absolutas – sobre o mundo, sobre os outros, sobre o que é certo e errado, sobre o que deve ser feito.

Um caminho que permite essa convivência é a filosofia que, desde os seus primórdios, ensinou a valorizar mais a pergunta do que a resposta pronta. A dúvida pode se tornar um guia prático e ético para conviver sem se submeter, questionar sem agredir e pensar sem se isolar.

Mas o que é a certeza senão uma âncora lançada em águas que nunca param de se mover? O convívio com os que tudo sabem, ou que assim julgam, pode ser sufocante para aquele que se nutre da dúvida como motor do pensamento. Pois a certeza é estática; ela cristaliza a realidade em fórmulas imutáveis, enquanto a dúvida é dinâmica – ela impulsiona, questiona, movimenta.

Nietzsche, na sua crítica à moral dogmática, já apontava o perigo das “verdades eternas” porque elas impedem o crescimento, matam o espírito criador. Já Sócrates, na sua sabedoria modesta, fez da dúvida o seu maior legado. “Só sei que nada sei” não é uma frase de ignorância, mas de abertura para o infinito.

Quando se está cercado por certezas inquestionáveis, o diálogo morre. A escuta morre. E com elas, morre também a possibilidade do encontro genuíno entre consciências. Pois quem tem certeza não ouve, apenas afirma. Não se dispõe a aprender, mas apenas a ensinar.

Mas viver com dúvidas é assumir a própria vulnerabilidade. É reconhecer que as pessoas são falhas, que erram, que o mundo é maior do que os seus olhos podem alcançar. E nisso reside uma forma profunda de liberdade: a liberdade de mudar de ideia, de crescer, de se reinventar.

Assim, a vida entre os que possuem certezas desafia a cultivar o solo fértil da dúvida sem cair no abismo da insegurança. A dúvida não deve paralisar, mas guiar. Não é ausência de direcção, mas recusa de rigidez. É no espaço entre uma certeza e outra que floresce o pensamento. E é neste intervalo que a alma respira.

Diversos filósofos enfrentaram directamente essa tensão entre a dúvida e a certeza. Dentre eles, alguns que trataram do tema de forma particularmente clara e profunda:

Sócrates (469–399 a.C.)

Sócrates dizia conviva com o diálogo, não com a disputa. A sua ideia-chave era “Só sei que nada sei”. Ele é o arquétipo do pensador que valoriza a dúvida como ponto de partida para o conhecimento. Não aceitava certezas prontas. Utilizava a maiêutica (a arte de fazer nascer ideias) para questionar os seus interlocutores, revelando, muitas vezes, que as convicções deles não tinham base sólida. Para ele, a sabedoria começa com o reconhecimento da ignorância – um gesto de humildade e de abertura à verdade.

sócrates

Sócrates caminhava pelas ruas de Atenas questionando os que julgavam saber. A sua arma era a pergunta. A sua sabedoria, a consciência da própria ignorância. Em vez de confrontar directamente os que possuem certezas absolutas, o método socrático convida a uma convivência baseada no diálogo: perguntar com humildade, não para desmoralizar, mas para despertar a reflexão no outro.

Conviver, segundo Sócrates, é transformar o embate em encontro. É convidar o outro a pensar consigo, não contra si. Perguntar é resistir.

  • Postura sugerida: Questionar com humildade;
  • Como agir: Sócrates não confronta as certezas de forma agressiva. Ele começa a fazer perguntas simples, mas profundas, levando o outro a perceber, por si mesmo, as fragilidades das suas crenças. Não se trata de vencer um debate, mas de semear reflexão;
  • Exemplo: Ao invés de dizer “você está errado”, Sócrates pergunta “Como você sabe disso?” ou “Isso sempre foi assim?”;
  • Convivência socrática: Ser o espelho que revela as contradições com gentileza, sem imposição. Um convívio baseado em perguntas genuínas pode romper o gelo das certezas sem quebrar o respeito.

René Descartes (1596–1650)

Descartes usava a dúvida como ferramenta pessoal. A sua ideia-chave era a dúvida metódica. Na sua busca por uma base indubitável para o conhecimento, Descartes propôs duvidar de tudo que pudesse ser posto em dúvida. Esta “dúvida metódica” não é cepticismo paralisante, mas uma ferramenta para alcançar algo absolutamente certo – culminando no célebre “Penso, logo existo”. A sua filosofia nasce de uma crítica à aceitação passiva de verdades herdadas, o que o opõe à postura dos que vivem de certezas inquestionáveis. Duvide interiormente, mas com método.

Em um mundo cheio de opiniões, a dúvida não precisa ser um embate externo. Ela pode ser uma disciplina interna. Com pessoas dogmáticas, muitas vezes não há espaço para o diálogo real. Nestes casos, Descartes sugere recolher-se ao próprio pensamento, avaliando criticamente tudo o que se ouve, sem necessariamente expor-se a conflitos desnecessários.

Conviver, aqui, é manter-se intelectualmente livre em silêncio. É duvidar por dentro e viver com clareza mesmo entre ruídos.

  • Postura sugerida: Silenciosa, metódica, disciplinada;
  • Como agir: Descartes não pretendia mudar os outros, mas encontrar um alicerce firme dentro de si. Assim, é possível conviver com pessoas dogmáticas sem bater de frente, mantendo para si o compromisso de nunca aceitar algo sem reflectir antes;
  • Exemplo: Em vez de discutir, você pode ouvir e depois, consigo mesmo, submeter aquela certeza a uma análise céptica;
  • Convivência cartesiana: Cultive o hábito de pensar por si, ainda que o mundo ao redor se apoie em certezas frágeis. A sua segurança vem da clareza interna, não da concordância externa.

Friedrich Nietzsche (1844–1900)

Levava as pessoas a afirmar sua singularidade diante dos “homens de rebanho”. A sua ideia-chave era a crítica às “verdades absolutas” e à moral dogmática. Combateu ferozmente os sistemas que pretendiam ter “a verdade”. Chamava essas certezas de “ídolos” – construções que aprisionam o pensamento. Ele valorizava o espírito livre, aquele que está sempre disposto a destruir as suas próprias certezas para afirmar a vida na sua complexidade e constante devir.

Nietzsche dizia “seja você mesmo, mesmo que em minoria” e via com desconfiança as verdades prontas e os consensos morais. Para ele, quem tem “certezas demais” está frequentemente fugindo do esforço de criar a si mesmo. O convívio nietzschiano não é pacífico, mas autêntico. Ele propõe que se mantenha firme quem pensa diferente, mesmo diante de incompreensão ou ironia. A vida deve ser afirmação, não conformismo.

Conviver, aqui, é não se submeter ao rebanho. É cultivar a coragem de ser singular em meio aos que pensam igual.

  • Postura sugerida: Criativa, afirmativa, até provocadora;
  • Como agir: Nietzsche era crítico e provocador com aqueles que abraçam certezas por conveniência, medo ou conformismo. Ele recomenda não se calar diante da mediocridade, mas também não se apequenar a ela. Dizia viva com intensidade, afirmando a sua própria visão;
  • Exemplo: Se todos dizem “isso é errado”, Nietzsche pergunta “Quem disse? Segundo que moral? Em nome de que vida?”;
  • Convivência nietzschiana: Recusar ser moldado pela massa. Ser o “espírito livre” que, mesmo incompreendido, prefere a criação ao conforto das certezas alheias.

Karl Popper (1902–1994)

Mantenha o espírito crítico e a disposição ao diálogo racional. A sua ideia-chave era falsificabilidade e crítica às certezas científicas. Popper argumentava que uma teoria só é verdadeiramente científica se puder ser falsificável, ou seja, se puder ser colocada à prova e, eventualmente, refutada. Ele via com desconfiança qualquer sistema que se apresentasse como detentor de verdades irrefutáveis. Para ele, a ciência avança justamente por meio do questionamento constante, e não pela cristalização de certezas. Questionar com lógica, quando houver abertura.

Popper acreditava no poder do diálogo racional, desde que houvesse boa-fé e disposição para revisão de ideias. Quando alguém está aberto à possibilidade de estar errado, o debate é fértil. Quando não está, o silêncio pode ser mais produtivo. Com pessoas que se apegam a certezas inquestionáveis, Popper sugere propor testes lógicos e contra-exemplos. Se houver acolhimento, o pensamento floresce. Se não houver, convém não insistir.

Conviver, segundo Popper, é escolher quando falar e, sobretudo, com quem.

  • Postura sugerida: Crítica, racional, respeitosa;
  • Como agir: Popper aconselha cultivar o hábito de testar ideias, as suas e as dos outros. Ele valoriza o diálogo aberto, mas só quando há disposição real de ouvir e ser refutado. Com quem se fecha em certezas, talvez o melhor seja não debater, mas observar;
  • Exemplo: Você pode propor “Se eu mostrar um contra-exemplo, você reconsideraria?” – e ver se há abertura para o diálogo;
  • Convivência popperiana: Discutir apenas com quem aceita o risco de estar errado. Do contrário, preserve a sua energia e continue investigando por conta própria.

Hannah Arendt (1906–1975)

Hannah aconselhava manter o pensamento vivo contra a banalidade. A sua ideia-chave era o perigo da substituição do pensamento pelo automatismo ideológico. Em “As Origens do Totalitarismo” e “Eichmann em Jerusalém”, Arendt mostra como a ausência de pensamento crítico e o apego a certezas morais e ideológicas facilitam o surgimento de regimes totalitários. Para ela, o pensamento é essencialmente dialógico e exige a disposição de viver sem garantias. A substituição por convicções fixas gera o colapso da ética. Assim, pensar é um dever ético.

Arendt alertou sobre o perigo de viver sem pensar. Na sua análise do totalitarismo, mostrou como a obediência cega a certezas ideológicas pode levar à banalização do mal. Mais do que dialogar ou resistir, para ela conviver entre certezas exige responsabilidade. Pensar não é luxo intelectual, mas condição para uma vida ética.

Conviver, segundo Arendt, é manter o pensamento vivo como forma de proteger a dignidade humana.

  • Postura sugerida: Vigilante, reflexiva, ética;
  • Como agir: Arendt via nas certezas absolutas um risco ético e político. Quando alguém se agarra a dogmas sem pensar, abre espaço para injustiças. Ela recomenda nunca abandonar o exercício do pensamento, mesmo em ambientes onde isso é raro;
  • Exemplo: Mesmo em silêncio, o seu comportamento pode reflectir valores mais elevados, como seriedade, empatia, escuta;
  • Convivência arendtiana: Ser a presença que pensa, mesmo que o mundo ao redor funcione por automatismo. Pensar é, em si, um acto de resistência.

A dúvida como ética da convivência

Conviver com os que têm sempre certeza não exige confronto directo, mas firmeza silenciosa ou diálogo habilidoso. Cada um dos filósofos citados propõe uma forma de não se perder no meio dos que recusam a dúvida:

  • Sócrates sugere perguntar;
  • Descartes, duvidar por dentro;
  • Nietzsche, afirmar a si as diferenças;
  • Popper, testar com lógica, escolher diálogos possíveis; e
  • Arendt, pensar para não banalizar, pensar como dever.

Conviver com quem tem sempre razão pode ser um desafio profundo: às vezes subtil, às vezes brutal. Mas a filosofia oferece ferramentas para esta jornada. A dúvida, longe de ser fraqueza, é o espaço onde a liberdade interior respira. Assim, dentre aqueles que vivem de certezas, seja aquele que vive da busca.

Giovanni Angius, MI – 33º REAA, ARLS Orvalho do Hermon nº 21 – Grande Loja Maçónica do Estado do Espírito Santo – Brasil

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5 thoughts on “Viver entre os que têm certeza”

  1. Milton de Oliveira Bordin

    Perfeita colocação Diego. Tem que haver regras de condutas, ou seja, verdades e certezas que devem ser respeitadas. O errado é errado, mesmo que todos estejam fazendo. O certo é o certo, mesmo que ninguém esteja fazendo. Grande abraço.

  2. Marcos Otoni

    Parabéns! Texto magnífico. Compilou com profundidade grandes pensadores.

    Este site é um norte de conhecimento. Como possível iniciado, este site se tornou um mar de conhecimentos a mim.

  3. Diego Almeida Scherer

    CONSIDERANDO QUE a maçonaria é uma escola de Moral e Relativista, onde o relativismo moral é a ideia de que não existem verdades morais absolutas e universais, e que os julgamentos morais são sempre relativos a um contexto cultural, social ou individual.

    CONSIDERANDO QUE a Moral prevê certo e errado; a Ética prevê bem e mal. A moral é uma conduta específica e normativa; valores éticos são princípios, frutos de reflexão sobre ações e normas de conduta.

    CONSIDERANDO QUE o Relativismo é a posição em que todos os pontos de vista são tão válidos quanto quaisquer outros e em que o indivíduo é quem determina o que é a verdade de acordo com sua cosmovisão.

    CONSIDERANDO QUE, sendo Relativista, podemos questionar os conceitos Morais de certo e errado.

    CONSIDERANDO QUE certo e errado são conceitos que podem ser diferentes em cada cultura, época, lugar e pessoa.

    CONSIDERANDO QUE a verdade também é relativa.

    CONSIDERANDO OS CONCEITOS ACIMA, VEJAMOS A SEGUINTE SITUAÇÃO HIPOTÉTICA:
    Um ladrão está sondando uma joalheria a fim de roubá-la. Ele entra para checar se há algum alarme visível, fechaduras, o espaço, segurança, etc. Neste processo ele inesperadamente se vê envolvido em uma discussão com o proprietário da joalheria, cujo passatempo é o estudo de filosofia e que acredita que a verdade e a moral são relativas.

    – Então – diz o proprietário – Tudo é relativo. É por isso que eu acredito que toda a moral não é absoluta é que certo e errado é algo que o indivíduo deve determinar dentro dos limites da sociedade. Mas não há um certo e errado absoluto.
    – É uma perspectiva muito interessante – diz o ladrão. – Eu entrei acreditando que existia um Deus e que existia certo e errado. Mas eu abandonei tudo isso e concordo com você que não existe um certo e errado absoluto e que nós somos livres para fazer o que queremos.
    O ladrão deixa a loja e volta à tarde para assaltar. Ele desarma todos os alarmes e travas e está no processo de roubar a loja. Neste momento entra o proprietário por uma porta lateral. O ladrão saca uma arma. O proprietário não pode ver a face do ladrão porque este usa uma máscara ninja.
    – Não atire em mim – diz o proprietário. – Por favor, pegue o que quiser e me deixe me paz.
    – É exatamente isso que eu pretendo fazer. – Diz o ladrão.
    – Espere um pouco. Eu conheço você. Você é o homem que estava na loja hoje cedo. Eu reconheço sua voz.
    – Isso é muito ruim para você – diz o ladrão. – Porque agora você pode me identificar, e como eu não quero ir para a cadeia eu vou ter que matar você.
    – Você não pode fazer isso – diz o proprietário.
    – Por que não?
    – Porque não é certo. – implora o homem desesperado.
    – Mas você não me disse hoje cedo que não há um certo e errado?
    – Sim, mas eu tenho uma família, filhos que precisam de mim e uma esposa.
    – E daí? Eu tenho certeza que você tem seguro e eles vão faturar um bom dinheiro. Mas como não há certo ou errado não faz diferença se eu mato ou não você. E já que se eu deixá-lo vivo você irá me delatar e eu irei para a prisão. Lamento, mas você irá morrer.
    – Mas é um crime contra a sociedade me matar.
    – Isso é errado porque a sociedade diz que é. Como você pode ver, eu não reconheço o direito da sociedade impor moralidade sobre mim. Tudo é relativo. Lembra-se?
    – Por favor, não atire em mim. Eu lhe imploro. Eu prometo não contar para ninguém como você é. Eu juro!
    – Eu não acredito em você e não posso me arriscar.
    – Mas é verdade! Eu juro que não conto para ninguém.
    – Desculpe, mas isso não pode ser verdade, porque não há verdade absoluta, não há certo nem errado, lembra-se? Se eu deixar você viver e sair você vai quebrar sua promessa porque isso tudo é relativo. Não há chance de confiar em você. Nossa conversa esta manhã convenceu-me que você acredita que tudo é relativo. Por causa disso eu não posso crer que você irá conservar sua palavra. Eu não posso confiar em você.
    – Mas é errado me matar. Não está certo!
    – Para mim não é nem certo nem errado matar você. Uma vez que a verdade é relativa ao indivíduo, se eu matar você, esta é a minha verdade. E é obviamente verdadeiro que se eu deixá-lo vivo eu irei para a prisão. Lamento, mas você mesmo se matou.
    – Não! Por favor, não atire em mim. Eu lhe imploro.
    – Implorar não faz diferença.
    (Bang!)

    PODEMOS ENTÃO, CONFORME A MORAL RELATIVA CONSIDERAR:
    Se o relativismo é verdadeiro, então qual o problema em puxar o gatilho?
    Talvez alguém possa dizer que é errado tirar a vida de outra pessoa sem necessidade. Mas porque seria errado se não há um padrão de certo e errado?
    Outros podem dizer que é um crime contra a sociedade. Mas, e daí? Se o que é verdade para você é simplesmente seu ponto de vista, então qual é o erro em matar alguém para se proteger depois de roubá-lo? Se é verdade para você que para se proteger você deve matar, então quem se importa com o que a sociedade diz? Por que alguém seria obrigado a se conformar com normas sociais? Agir assim é uma decisão pessoal.
    Embora nem todos os relativistas ajam de maneira não ética, eu vejo o relativismo como um contribuidor para a anarquia geral. Por quê? Porque é uma justificativa para fazer o que você quiser.

    1. Marcos Otoni

      Caro Diego, excelente reflexão.

      Como leigo que sou, ouso responde-lo visando tanto aprender como refinar o debate.

      Trarei algumas citações que entendo poderão agregar essa reflexão, mas antes, cito uma percepção sobre o livro que estou lendo (FEDON – Platão – que trata dos ultimos momentos antes da morte de socrates, ao qual dialoga sobre a imortalidade da alma)

      Socrates recusa-se a fugir da prisão porque acredita que desobedecer às leis seria um ataque à ordem da cidade – ainda que tal tenha sido condenado por supostamente corromper cidadãos.

      Para Aristoteles, o homem é, por natureza, um animal político.

      Para Hobbes, o homem é o lobo do homem. E, sem um poder comum a temer, os homens se encontram naquele estado que se chama guerra.

      Para Locke, onde não há lei, não há liberdade.

      Montesquieu aduz que a liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem.

      E Rousseau enten de que o homem nasce livre, e por toda parte encontra-se acorrentado. Obedecer à lei que se prescreceu a si mesmo é liberdade.

      No meu ponto, também entendo que o relativismo contribui para uma anarquia geral, pois, o homem deve ser livre nas medidas das leis que os proprios os condicionaram. Assim, a lei deve ser o norte da verdade na convivência de uma sociedade. Lembrando, as proprias sociedades criaram suas leis, portanto, os limites da liberdade foram pactuadas com base na proprias escolhas e culturas. Se uma sociedade, ainda que no inconsciente coletivo permitiu ser corrompida ou foi explorada culturalmente, esta tem um grande problema a resolver, pois sua liberdade está condicionada.

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