A Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE) e a Comunidade LGBTQ+ – uma entrevista

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LGBTQ+ e Maçonaria: Como um Maçom abertamente gay foi “instilado” com o poder de ser ele mesmo

A minha experiência tem sido fantástica! A Maçonaria, especialmente a minha Loja, continuou a apoiar-me em todos os meus empreendimentos, sejam relacionados com a minha sexualidade ou não. A Maçonaria oferece uma plataforma única para sermos nós próprios, sejamos quem formos”.

Um dos fundamentos da Maçonaria é a inclusão e a igualdade e a UGLE trabalha duramente para garantir que membros de todas as origens sejam apoiados e representados, especialmente aqueles que se identificam como LGBTQ+. Uma das perguntas mais frequentes, que vamos explorar neste artigo, é: Pode-se ser gay e ainda assim, ser Maçom?

A resposta é um retumbante sim, a Maçonaria orgulha-se dos seus valores fundamentais de inclusão e acolhe novos membros, independentemente da sua raça, religião e orientação sexual.

Para ajudar a celebrar o Mês do Orgulho e dar destaque a alguns dos nossos membros mais diversos, sentámo-nos com Mitch Bryan, 32 anos, para discutir como ele tem vivido ser um Maçom abertamente gay.

Mitch é membro da Maçonaria há mais de dez anos, tendo sido iniciado quando tinha apenas 22 anos na Loja Royal Sussex Lodge of Emulation nº 355 em Swindon e agora é o seu Venerável Mestre.

Este Irmão de 32 anos, que trabalha para uma empresa de energia, mora em Londres há 16 meses e actualmente mora com o seu parceiro Tom em Chiswick.

Entrevistámos Mitch, que partilhou a sua jornada na Maçonaria connosco e nos explicou como assumir-se junto dos seus irmãos, o ajudou a “instilar” em si o poder de ser ele mesmo.

O que te fez ingressar na Maçonaria?

Desde muito cedo que estive sempre cercado por maçons, principalmente amigos da família. Foi só quando era um pouco mais velho que descobri a própria Maçonaria e comecei a investigar. Um amigo meu do rugby convidou-me para conhecer os Irmãos de Royal Sussex depois de um ensaio, uma noite. Rapidamente me inscrevi depois disso e o resto é história!

Quando é que percebeste que eras LGBTQ+ e quando começaste a contar aos outros?

Honestamente, não consigo identificar um momento específico em que percebi que era gay, mas provavelmente faz uns bons 15 anos. Foi uma percepção lenta para mim e só apenas nos últimos sete anos é que me comecei a assumir para os meus amigos e familiares.

Eras era abertamente LGBTQ+ quando te juntaste à Maçonaria?

Quando entrei para a Maçonaria, eu não era abertamente gay; só saí do armário para meus Irmãos de Loja, dez anos depois de ingressar. Eu senti que esse era o momento certo para eu me assumir, já que acabei sentindo-me confortável em partilhar o facto de ser gay. 2022 é especial para mim de muitas maneiras, pois o me assumir junto da minha Loja coincidentemente coincidiu com o facto de eu me tornar Venerável Mestre.

Qual tem sido a tua experiência como Maçom e pessoa LGBTQ+?

A minha experiência tem sido fantástica! A Maçonaria, especialmente a minha Loja, continuou a apoiar-me em todos os meus empreendimentos, sejam eles relacionados com a minha sexualidade ou não. A Maçonaria oferece uma plataforma única para sermos nós mesmos, sejamos quem formos.

Qual foi a reacção dos outros Maçons quando descobriram que és LGBTQ+?

A comunidade Maçónica tem sido muito receptiva. Recebi mensagens muito positivas de membros da Arte que me apoiaram incansavelmente. Foi fascinante poder conhecer outros Maçons LGBTQ+ que se apresentaram a mim depois que eu comecei a tornar minha sexualidade pública. O apoio deles e de todos os outros que confirmaram o seu apoio foi maravilhoso.

Como é que descreverias os relacionamentos com outros Maçons em termos de intimidade emocional, abertura, honestidade, apoio, tolerância e aceitação?

Como um jovem Maçom, em idade e na minha jornada Maçónica, sinto que trouxe muito para a mesa em relação à tolerância, abertura e apoio. Durante a maior parte do meu mandato Maçónico, defendi clubes Maçónicos para jovens e novos membros. Isto realmente abriu os meus olhos para o que todos nós podemos alcançar como indivíduos, mas mais importante, como podemos moldar o futuro da Maçonaria.

Ao ser aberto e educar as pessoas ao meu redor, fiquei impressionado com o apoio tangível que me foi mostrado a mim e a muitos outros Maçons LGBTQ+.

A comunicação é muito poderosa e é uma óptima forma de educar aqueles que não sabem muito sobre a comunidade LGBTQ+. A demografia dos membros Maçónicos é vasta e, por essa razão, todos nós precisamos de respeitar a forma como abordamos a sexualidade, inclusive eu. Conheço muitos membros que cresceram numa época em que a homossexualidade era muito desaprovada e, em alguns casos, ilegal. Por isso, acredito que a única forma de ajudar alguém a entender é partilhando as minhas experiências, os problemas que encontrei e os desafios que enfrentei.

Poderias descrever o teu nível de abertura com os Maçons sobre a tua orientação sexual?

Eu sou muito aberto sobre ser gay, mas apenas ao ponto de ser perguntado. A minha sexualidade não é um assunto relevante em todas as conversas que tenho, nem é particularmente interessante. A área em que sinto que precisamos de nos adaptar é a maneira como abordamos os nossos membros ao incluí-los como indivíduos e depois como comunidade.

Os Festivais das Senhoras são uma parte muito importante e tradicional da Maçonaria, agradecendo às esposas pelo apoio implacável aos seus maridos durante mais um ano Maçónico. Isto nunca deve ser esquecido, mas muitos de nós não têm esposas. Eu não gostaria de mudar o termo “Festival de Senhoras”, mas gostaria que aqueles que organizam os eventos estejam cientes da sua demografia e como isso pode ser percebido por um membro da Loja com um parceiro, que pode não se sentir tão à vontade para falar sobre sua sexualidade como eu estou.

Achas que os Maçons apoiam os membros LGBTQ+?

Absolutamente. Conheci alguns Maçons realmente interessantes e inspiradores, gays ou não, que incutiram em mim o poder de ser quem eu sou. Como fraternidade, somos muito inclusivos e sinto que nosso corpo governante, a UGLE, continua a procurar formas de incluir todos os homens num mundo em constante mudança.

Um excelente exemplo disto é a recente implementação da “Transgender Policy”. Para mim, este foi um verdadeiro ponto de viragem para a Maçonaria sob a alçada da UGLE. Ele trouxe a nossa fraternidade moderna e com visão de futuro para o Século XXI.

Estou continuamente a defender a Maçonaria para todos aqueles que me fazem perguntas sobre isto e posso realmente dizer que somos inclusivos para todos. O que acho que poderíamos fazer melhor é falar mais sobre como somos realmente inclusivos para todos. Geralmente, costumo achar que aqueles que discordam de assuntos de mudança repentina o fazem porque, para começar, não sabem muito sobre o assunto. Já estive nesta situação muitas vezes, mas percebi rapidamente que, com algumas pesquisas e uma rede de apoio, os meus medos vinham geralmente da minha própria ignorância.

Tinhas algumas ideias pré-concebidas sobre o que os Maçons podiam pensar sobre a conscientização LGBTQ+ antes de aderires?

Quando me pediram pela primeira vez para me juntar à Maçonaria, certamente que pensei “será que eles deixaram homens gays aderirem?”. Claro que sim, estávamos em 2012, e o Reino Unido é um país culturalmente diversificado e a Maçonaria na Inglaterra não é excepção. Uma vez que eu aderir e decidi por mim mesmo que era o momento certo para me assumir, os membros da minha Loja deram-me muito apoio.

O que é que o teu parceiro pensa sobre seres um Maçom?

O meu namorado, Tom, está intrigado com a Maçonaria, mas não o suficiente para se juntar. Ele tem sido um grande apoio durante o meu Veneralato e continua a ajudar-me na minha jornada.

O que é que dirias aos gays que pensam em ingressar na Maçonaria?

A Maçonaria deu-me uma plataforma para ser a melhor versão de mim mesmo. Conheci alguns dos melhores humanos de todo o mundo, fui aceito em Lojas a milhares de quilómetros de casa de braços abertos e aprendi muito sobre mim e do que sou capaz. Eu fui capaz de me cercar de pessoas que pensam da mesma forma que me ensinaram os benefícios da integridade, amizade, respeito e caridade.

Gostaríamos de agradecer a Mitch por gastar o seu tempo a partilhar a sua história e jornada maçónica connosco.

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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