A história do Cajado

cajado

Diz a história judaica, que Jethro era um grande sábio, interpretava os astros, tinha aprendido segredos da natureza e conseguia penetrar nas mentes, desvendando os mais secretos pensamentos.

Naqueles tempos Jethro vivia no Egipto e o Faraó, sabendo dos seus dons, fez dele, seu conselheiro pessoal, dando-lhe liberdades para andar livremente pelo palácio. Aproveitando esse privilégio, conheceu todos os lugares mais importantes, inclusive a sala do tesouro, onde era guardado toda a riqueza do Faraó, composta de ouro, pedras preciosas e além de inúmeros objectos valiosos.

Certo tempo depois, por não concordar com a escravidão dos hebreus, Jethro solicitou ao Faraó, permissão para ir embora. Sem nada a contestar, o Faraó autorizou a sua partida. Como recompensa pelos relevantes serviços prestados, o Rei, por sua vez, concedeu-lhe o direito de escolher um presente,

Jethro, apenas solicitou de presente um velho cajado, uma espécie de vara comumente utilizada para pastoreio, cuja característica definidora é a extremidade superior recurvada em forma de gancho ou semicírculo, que serve para trazer a ovelha para perto do pastor, para guiá-la no caminho certo e ou para removê-la de uma situação de perigo.

O cajado escolhido, tratava-se de um objecto perdido e jogado num canto do palácio e Jethro alegou que aquele instrumento lhe permitiria caminhar com mais facilidade pelo deserto e pelas montanhas, quando estivesse voltando para o seu país.

O pedido deixou o Faraó sem entender, pois, tinha pensado que Jethro escolheria algo muito mais valioso, em vez disso só pedira aquele antigo cajado, que não lembrava mais por que estava ali e para que servisse. Mesmo assim, o Faraó decidiu atendê-lo e imediatamente ofereceu-o como presente, conforme o seu desejo.

Entretanto, Jethro sabia muito bem o que estava pedindo, pois nas suas andanças pelo palácio, tinha observado durante anos, que aquele cajado, não era um simples pedaço de madeira. Ele sabia que o mesmo, provinha de um lugar muito especial: o Jardim de Éden; mais precisamente, da Árvore do Conhecimento.

Deus criara-o no crepúsculo do primeiro Shabbat. Era adornado com safiras e tinha gravado nele o Nome Divino e as 10 letras hebraicas, as iniciais das dez pragas que no futuro iriam infestar o Egipto. Dizia-se ainda que o cajado possuía uma virtude sobrenatural, ele amenizava o cansaço e fazia o trabalho mais árduo parecer brincadeira de criança.

De acordo com livro do Génesis, Adão tinha-o recebido do Criador no Jardim do Éden quando ao cair em desobediência foi banido do Paraíso. Por sua vez, Adão antes de morrer deu-o para Enoch. De seguida pertenceu a Noé, que o utilizou para medir a Arca, na qual sobreviveu durante o dilúvio.

Posteriormente foi a vez do patriarca Abraão, que o herdou. Serviu também ao seu filho Isaac e logo ao seu descendente, Jacob. Este, quando foi para o Egipto, levou-o consigo deixando como herança ao seu filho José. Quando José morreu, todas as suas propriedades e bens passaram a pertencer ao Faraó.

O Faraó, devido à sua ambição, ordenou que lhe fosse trazido o cajado de José, pois desconfiava que o mesmo fosse mágico, dando-lhe poderes sobrenaturais. Porém, por mais que o Faraó tentasse dar-lhe ordens, nada acontecia. Decepcionado, mandou que o deixassem dentre os tesouros do palácio e lá ficou encostado e abandonado, por vários anos, até que Jethro o viu e o pediu como presente.

Moisés assim que chegou a Midian, conheceu uma linda mulher chamada Tzipora, que era filha de Jethro e com quem se casou. Certo dia, caminhando pelos jardins do seu sogro, Moisés deparou com aquele cajado. Logo, observou que o mesmo era diferente, viu que o nome de Deus estava entalhado na madeira. Por curiosidade, segurou-o e ao expressar o Nome Divino, uma poderosa força o possuiu e o cajado passou a ser parte do corpo de Moisés. Diante dessa constatação, soube imediatamente que pertencia ao seu povo.

Jethro, observando aquele fenómeno, sabiamente previu que Moisés seria o libertador dos judeus e presenteou-o com aquele valioso objecto. Moisés, feliz, disse: “Deus me mandou Tzipora e o poder do cajado para que eu consiga salvar o meu povo”.

Moisés cumpriu a missão que lhe fora destinada, conforme a vontade de Deus. Libertou o povo judeu da escravidão no Antigo Egipto, levando-o para a Terra Prometida (a Palestina). Foi com o velho cajado, que Moisés, usou para guiar o grande povo de Israel pelo deserto, durante 40 anos. Usando-o sempre para andar pelo caminho da dependência do Senhor.

O cajado é símbolo de fé e de unção, ou seja, uma capacitação sobrenatural, por ter sido escolhido por Deus, só Moisés pode fazer, com aquele objecto, maravilhas como a de transformá-lo em serpente e quando o seu povo estava em frente do Mar Vermelho, Deus manda que Moisés toque o mar com o seu cajado e o mar abre-se para a estrada da fuga e salvação do seu povo.

“O cajado é útil também como instrumento de viagem para protecção e apoio, principalmente em caminhos acidentados. Entender a importância do significado de ter um cajado ou do que realmente é essa indumentária na vida de um pastor é tarefa que depende da leitura da bíblia e de ter um coração e mente aberta para a revelação dos mistérios do Espírito Santo de Deus.

O cajado é símbolo de protecção quando os peregrinos viajavam, eles levavam os seus cajados a fim de expulsar animais que aparecessem pelo caminho. E bem sabemos que isto ainda acontece nos nossos dias e sem cajados seremos atacados.

Na antiguidade, muitos estudiosos, mestres, nobres, e tantos outros entendiam que os cajados eram vistos como um instrumento simbólico de poder, autoridade, julgamento, comando e associado ao caminho da rectidão. ”

Na Maçonaria, dentre os muitos instrumentos simbólicos, o uso do cajado, faz recordar os antigos pastores. Principalmente no Rito Escocês Antigo e Aceito, em que o Bastão é o principal paramento do Mestre de Cerimónias, e que em alguns ritos, também, é usado pelos Diáconos.

O Mestre de Cerimónias, estará munido, pelo o seu instrumento, ou seja, o seu Bastão, empunhado pela mão direita, na abertura e no encerramento dos trabalhos, ou quando conduzir um Irmão em Loja, ou ainda quando o Ritual o determinar, qualquer que seja a Sessão.

O Mestre de Cerimónias é o Oficial que auxilia a condução dos trabalhos em Loja, cabe a ele, de posse do seu Bastão, compor e organizar o cortejo, no Átrio, para entrada no Templo, bem como a saída dos Irmãos ao final das Sessões.

Tem como missão conduzir o Irmão Orador para a abertura e fechamento do Livro da Lei, posicionando-se sempre atrás do Orador.

Conduzir e reconduzir, no momento adequado, aqueles Irmãos que por alguma necessidade devam ter o Templo Coberto, temporariamente e definitivamente, nesse momento o Oficial o conduzirá até a porta que do átrio que dá acesso à Sala dos Passos Perdidos, retornando em seguida, para o seu lugar, acto continuo informa ao Venerável Mestre, que as suas ordens foram cumpridas, e assim os trabalhos da Loja serão continuados.

Em síntese, o Bastão, nas mãos do Mestre de Cerimónias representa a autoridade, simboliza a liderança, o trabalho, o cuidado, a fortaleza, o comando e a mensagem, pois com ele, o Oficial conduz e não acompanha, isso significa que ele sempre vai à frente de um Irmão até o destino.

Têm a simbologia do Guia ou Pastor (aquele que vai à frente). É fácil compreender o significado do guiar, quando comparamos um rebanho de ovelhas com uma manada de bois.

O Pastor vai à frente guiando as ovelhas, já o Boiadeiro, vai atrás tocando a boiada.

Elson Levi Eustáquio Pinto – M∴ M∴ – Loja Cláudio das Neves nº 1939 – GOB

Fontes

  • Dicionário da Língua Portuguesa
  • Diversos textos maçónicos e religiosos

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One thought on “A história do Cajado

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    Gostei muito da historia do cajado. As alegorias contadas nos remete a pensar, raciocinar e refletir a respeito da matéria e do Sagrador e nos leva ao Caminho sem volta da perfeição. Provado do sentimento único da presença do GADU em nossos corações temos a certeza que escolhemos o caminho certo.

    A

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