O simbolismo dos números na Maçonaria – O Dois

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Como vimos, todas as coisas estão integradas e realizam-se no UM, mas vimos também a transcendentalidade da UNIDADE e, por isso, tudo é imperceptível e imanifestado até que, com o DOIS, tudo se torna real e inteligível. Segundo o Ritual de Aprendiz o número DOIS “é um número terrível” Eis o texto:

O número dois é um número terrível, um número fatídico. É o símbolo dos contrários e, portanto, da dúvida, do desequilíbrio e da contradição. Como prova disso, temos o exemplo concreto de uma das sete ciências maçónicas – a Aritmética – em que 2 + 2 = 2 X 2.

Até na Matemática o número dois produz confusão, pois, ao vermos o número 4, ficamos na dúvida, se é resultado da combinação de dois números pela soma ou pela multiplicação, o que não se dá, em absoluto, com outro qualquer número. Ele representa o Bem e o Mal; a Verdade e a Falsidade; a Luz e as Trevas; a Inércia e o Movimento, enfim, todos os princípios antagónicos, adversos. Por isto representava, na antiguidade, o “inimigo”, símbolo da Dúvida, quando nos assalta o espírito”.

E adverte:

“O Aprendiz não se deve aprofundar no estudo deste número porque, fraco ainda no aspecto cientifico das nossas tradições, pode enveredar pelo caminho oposto ao que deveria seguir”.

E explica:

Esta é, ainda, uma das razões pela qual o Aprendiz é guiado nos seus trabalhos iniciáticos: a sua passagem pelo número 2, duvidoso, traiçoeiro e fatídico, pode arrastá-lo para o abismo da dúvida, do qual só sairá se o forem buscar”.

Como se vê, o nosso Ritual é cheio de cautelas, mas não cremos que devamos afastar o Aprendiz do estudo do número; antes, devemos guiá-lo, aclará-lo, ensiná-lo sobre os mistérios porventura existentes, a fim de que ele possa evoluir nos seus conhecimentos para o número seguinte sem solução de continuidade.

Em princípio, não cremos na terribilidade nem na fatidicidade do número DOIS; antes, preferimos ver nele a necessidade da manifestação da matéria através do aparecimento dos “contrários”. Se há “contrários” e se preferimos ver nestes “contrários” o símbolo do BEM e do MAL, temos que convir que tanto um quanto o outro servem para ressaltar os méritos ou os deméritos do seu oposto.

Assim, jamais saberíamos o que é o BEM, se não conhecessemos o MAL! Não conheceríamos o Justo se não entendêssemos o que é Injusto! Não apreciaríamos a Luz se não provássemos as Trevas! Não exercitaríamos o Movimento se não estacionássemos na Inércia! E assim por diante. Não há, pois, ao que nos parece, que se falar em número terrível, em número fatídico. Antes, há que se compreender os perigos que envolvem o aspecto negativo dos “contrários” e para esta compreensão necessário se torna o conhecimento do seu aspecto positivo. A cautela dos Mestres evitará, aos Aprendizes, os percalços da dúvida.

O importante é não abandonar a UNIDADE, que é a Lei Divina. Se, dentro de nós existe o BEM e o MAL, há que nos orientarmos no sentido de se equilibrarem as suas influências, colocando-se no círculo da Lei (ZERO), onde não há nem o BEM e nem o MAL, volvendo-nos à UNIDADE para podermos dizer: EU SOU UM!

O corpo humano, no seu trabalho não emprega mais do que a metade dos seus componentes, ou seja, os átomos. Se através do Pensamento Concentrado, da Devoção, da Sabedoria e da Acção puder ele estimular a outra metade que queda inerte, haverá uma união consciente e perfeita que levará o homem a dizer: EU SOU!

O número DOIS nada mais é que a dissociação do raio que parte do círculo (o UM partindo do ZERO) em sentido angular. É, pois, a DUALIDADE afastando-se da UNIDADE. Sabendo-se que o raio primitivo, o UM, parte do Ponto (YOD) situado no centro do círculo (ZERO), temos, neste ponto a origem de um ângulo cujos lados se afastam, percorrendo a circunferência até formar um ângulo raso, onde se verifica o maior afastamento dos “contrários”. Daí, continuando o seu movimento, eles vão-se aproximando novamente até se unirem em posição oposta àquela em que eles se separaram. O ângulo convexo (de 0 a 180 graus) representa a Involução de todas as coisas que partindo da UNIDADE, descem e se dissociam nos “contrários”, enquanto que o ângulo côncavo (de 180 a 360 graus) representa a Evolução, quando os “contrários” se buscam novamente, procurando o equilíbrio para, finalmente se reunirem de novo na UNIDADE!

Tudo isto pode ser resumido numa simples frase: O Homem vem de Deus e volta novamente para Deus!

Vemos então que o Aprendiz deve, muito embora assim não o aconselhe o Ritual, estudar e aprofundar os mistérios do número DOIS a fim de que se possa afastar das influências negativas, aperfeiçoando-se através de uma constante pureza de pensamentos, apoiado numa devocional concepção religiosa, agindo racionalmente dentro de uma sabedoria pura e praticando acções benéficas e meritórias para que, trilhando tais caminhos, possa penetrar no seu próprio Reino Interno, assegurando, conscientemente, a sua volta à desejada UNIDADE.

Aos Mestres cumpre o dever de o assistir, encaminhar e assegurar-lhe confiança nos seus estudos afim de que ele possa vencer todas as dificuldades.

Esta é a simbologia do número DOIS que deverá ser estudada com atenção pelo Aprendiz.

Boanerges B. Castro

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One thought on “O simbolismo dos números na Maçonaria – O Dois

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    Depois de ler essa “instrução” passei a ter pesadelos constantes envolvendo o número 2. Eu o vejo atrás das portas, escondido nos armários e até debaixo da cama. Sonhei um dia com ele correndo atrás de mim com uma faca na mão.
    O que eu faço se me separar com o número 2 na rua? Chamo a polícia ou dou sebo nas canelas?

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