A Loja

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O termo “loja” tem vários significados na linguagem maçónica – um edifício, uma sala, um corpo. Em dias operacionais, de onde derivamos o termo, era uma estrutura enxuta simples no canteiro de obras onde os operários faziam uma pausa, armazenavam as suas ferramentas e recebiam instruções na execução dos planos e projectos do arquitecto. Nas Ancient Charges de um Maçom, aprendemos que “Uma Loja é um lugar onde os Maçons se reúnem para trabalhar, instruir-se e melhorar nos mistérios da sua ciência ancestral”. Ainda usamos a palavra neste sentido de edifício ou local de reunião quando dizemos que vamos “à Loja”.

No entanto, a Maçonaria é composta por homens e uma Loja é um organismo vivo, um corpo criativo de homens que pensam da mesma forma, trabalhando juntos em paz, amor e harmonia, companheiros de viagem unidos numa causa comum, como o Irmão David C. Bradley observou no seu discurso de Grão-Mestre em 1990: “homens com um propósito comum, governados por uma ideia comum, que acreditam num ideal comum“. Uma Loja é um conjunto de homens que fizeram grandes coisas no passado e esperam fazer grandes coisas no futuro.

Hoje, como noutros tempos, a Loja é um lugar de instrução e auto-aperfeiçoamento, onde estudamos e aprendemos com os ideais consagrados nos ensinamentos e palestras exemplares dos nossos ritos e cerimónias. Considerada apropriadamente, a Loja é uma sala de aula e cada reunião oferece uma oportunidade de aprendizagem. A Maçonaria é, e sempre foi destinada a ser uma instituição educacional para “o cultivo e o aprimoramento da mente humana“. É a maior e mais antiga instituição dedicada à educação de adultos no mundo civilizado, e coloca o mundo do conhecimento humano e a sabedoria acumulada ao longo dos tempos aos nossos pés.

Devemos estar sempre cientes de que a Maçonaria vive, move-se e tem a sua existência nas Lojas  que a constituem. Na abertura de cada Sessão, o Venerável Mestre é lembrado de que é seu dever declarado “empregar e instruir os irmãos na Maçonaria“. O sucesso ou o fracasso dependem inteiramente da capacidade de liderança do Venerável Mestre e do apoio da sua Equipe de Oficiais. William Pollard poderia estar a escrever um manual para os Oficiais de Loja quando escreveu: “É responsabilidade da liderança fornecer oportunidades e é responsabilidade dos indivíduos, contribuir”.

Uma reunião na Loja deve ter mais a oferecer do que uma reunião amigável no Starbucks local, por mais amigável, alegre e agradável que seja. Em primeiro lugar, a Maçonaria é uma ordem iniciática baseada em e partilhando o propósito comum das antigas escolas de mistério das primeiras civilizações: filosofias egípcia e grega, em particular. Esta herança fornece uma dimensão adicional. Há muito mais na Maçonaria do que sociabilidade e filantropia, por mais importantes que estes aspectos sejam para a fraternidade. O nosso objectivo é mudar a vida dos homens; recebendo bons homens e ajudando-os a se tornarem homens ainda melhores.

Como é que podemos atingir este elevado objectivo? Como Maçons Especulativos, é-nos pedido que pensemos seriamente sobre o significado da vida: de onde viemos? Qual é o nosso propósito aqui? Para onde vamos a partir daqui? Estas perguntas só podem ser respondidas por um estudo intenso do nosso eu interior. “CONHEÇA-SE A SI MESMO” estava gravado na entrada dos antigos templos de iniciação. Alexander Pope (1688-1744) escreveu esta admoestação:

Know Thyself.
Know then thyself, presume not God to scan;
The proper study of mankind is man.

Neste contexto, a Loja torna-se um laboratório de pesquisa de autodescoberta – “uma rede de apoio mútuo de homens unidos em tal busca“. Existem cinco fases no processo:

  1. Auto-exame
  2. Auto-descoberta
  3. Auto-análise
  4. Auto-realização
  5. Auto-cumprimento

A Maçonaria usa a metáfora da luz para simbolizar “a progressão da ignorância para a compreensão”, o processo descrito como passagem das trevas para a luz. Os Maçons eram conhecidos como “os Filhos da Luz”. Marcel Proust (1871 a 1922), o romancista francês escreveu: “A verdadeira viagem de descoberta consiste não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”. Para citar Thomas Paine (1737-1809) panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América, ao escrever sobre o Iluminismo: “Nós vemos com outros olhos; ouvimos com outros ouvidos; e pensamos com outros pensamentos, para além daqueles que usámos anteriormente. A mente, uma vez iluminada, não se pode tornar escura novamente”. À “luz” da Maçonaria, recebemos novos olhos para ver a Beleza natural e mentes mais perspicazes para compreender a Verdade divina.

Raymond S. J. Daniels

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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