Formação – Elementos da Câmara de Reflexão

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Câmara de Reflexão

Alguns elementos da Câmara de Reflexão:

A Cor Negra

O negro simboliza as trevas, a ausência da luz. O lugar de perpétuo esquecimento para onde nos conduz as paixões, os vícios e a ignorância. Jung considera a cor negra como o lado sombrio da personalidade.

Crânio e Esqueleto

Ambos simbolizam o ciclo iniciático: a brevidade da vida e a morte corporal, prelúdio do renascimento num nível de vida superior, e condição do reino do espírito. Símbolo da morte física, o crânio corresponde à putrefacção alquímica, assim como a tumba corresponde à fornalha: o homem novo sai do cadinho onde o homem velho se extingue para se transformar. O Crânio e o Esqueleto representam não uma morte estática, definitiva, mas, sim, uma morte dinâmica, anunciadora e instrumento de uma nova forma de vida. O crânio, com o seu sorriso irónico e o seu ar pensativo, simboliza o conhecimento daquele que atravessou a fronteira do desconhecido, daquele que, pela morte, penetrou no segredo do além. O crânio é muitas vezes representado entre duas tíbias cruzadas em X, formando uma cruz de Santo André, símbolo das oposições dentro da natureza sob a influência predominante do espírito. Ambos significam, numa palavra, Transformação.

Ampulheta

Simboliza o escoamento inexorável do tempo que se conclui, no ciclo humano, pela morte. A forma da ampulheta, com os seus dois compartimentos, mostram a analogia entre o alto e o baixo, assim como a necessidade, para que o escoamento se dê para cima, de virar a ampulheta. Assim, a atracção exerce-se para baixo, a menos que mudemos a nossa maneira de ver e de agir. O vazio e o pleno devem suceder-se; há, portanto, uma passagem do superior ao inferior, isto é, do celeste ao terrestre e, em seguida, através da inversão, do terrestre ao celeste. O filete de areia, que corre de um para outro compartimento, representa as trocas entre o Céu e a Terra: a manifestação das possibilidades celestes e a reintegração da manifestação na Fonte divina. O estrangulamento no meio é a porta estreita por onde se efectuam as trocas.

A ampulheta está presente na Câmara como que sugerindo ao postulante, que não relegue para o amanhã o abandono das paixões, nem a procura da virtude, pois talvez não venha a ter mais tempo, já que o tempo é agora.

V.I.T.R.I.O.L.

Iniciais de uma fórmula célebre entre os alquimistas e que condensava a sua doutrina: Visita Interiorem Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem, ou seja, Visita ou Explora o interior da terra. Rectificando, encontrarás a pedra oculta…o que significa dizer: Desce ao mais profundo de ti mesmo, bem além das aparências exteriores, e encontrará a pedra oculta (ou o núcleo indivisível), sobre o qual poderás construir uma nova personalidade, um homem novo. Trata-se da reconstrução de si próprio a partir dos vários graus de inconsciência, de ignorância e de preconceitos, em direcção à incontestável consciência do ser, o que permite ao homem descobrir a presença imanente e transformadora de Deus nele.

O Grão de Trigo

O quarto de reflexões constitui a prova da terra – a primeira das quatro provas simbólicas dos elementos – e, através da sua analogia, somos conduzidos aos Mistérios de Elêusis, nos quais o iniciado era simbolizado pelo grão de trigo atirado e sepultado no solo, para que germinasse; abrisse, pelo seu próprio esforço, um caminho para a luz. A semente, na qual se encontra em estado latente ou potencial toda a planta, representa muito bem as possibilidades latentes do indivíduo que devem ser despertadas e manifestadas à luz do dia, no mundo dos efeitos. Todo ser humano é, efectivamente, um potencial espiritual ou divino, idêntico ao potencial latente da semente, que deve ser desenvolvido ou reduzido à sua mais plena e perfeita expressão, e este desenvolvimento é comparável, em todos os sentidos, ao desenvolvimento natural e progressivo de uma planta.

Assim como a semente, para poder germinar e produzir a planta deve ser abandonada ao solo, onde morre como semente, enquanto o germe da futura planta começa a crescer, assim também, o homem, para manifestar as possibilidades espirituais que nele se encontram em estado latente, deve aprender a se concentrar no silêncio da sua alma, isolando-se de todas as influências externas, morrendo para os seus defeitos e imperfeições a fim de que o germe da Nova Vida possa crescer e se manifestar.

Uma vez que o Germe espiritual, a Divina Semente do nosso ser, é imortal e incorruptível, esta morte – como toda forma de morte, sob um ponto de vista mais profundo – é simplesmente o despojo de uma forma imperfeita e a superação de um estado de imperfeição, que foram no passado um degrau indispensável ao nosso progresso, mas que na actualidade se transformaram numa limitação e ao mesmo tempo numa necessidade; na oportunidade e na base para um novo passo adiante.

Esta imperfeição ou limitação que deve ser superada – os estreitos limites em que se acha enclausurado o nosso pensamento e o nosso ser espiritual pelos erros e falsas crenças assimiladas na educação e na vida profana – é o que simboliza a casca da semente, produzida por esta como protecção necessária  no seu período de crescimento, e inteiramente análoga à casca mental do nosso próprio carácter e personalidade.

O Pão e a Água

O pão é, evidentemente, símbolo do alimento essencial. Se for verdade que o homem não vive só de pão, apesar disso, é o nome de pão que se dá à sua alimentação espiritual. Entre os cristãos, o Cristo eucarístico é o pão da vida. Os pães da proposição dos hebreus também têm o mesmo significado. Este pão representa a presença de Deus no íntimo de cada um de nós.

A água representa: fonte de vida; meio de purificação e centro de regeneração. As águas, massa indiferenciada, representando a infinidade dos possíveis, contêm todo o virtual, todo o informal, o germe dos germes, todas as promessas de desenvolvimento. Mergulhar nas águas, para delas sair sem se dissolver totalmente, salvo por uma morte simbólica, é retornar às origens, carregar-se de novo, num imenso reservatório de energia e nele beber uma força nova. A água é símbolo da Mãe Natureza, geradora de Vida material, mas, também, da vida espiritual e do Espírito, oferecidos por Deus e muitas vezes recusados pelos homens.

O Sal, o Enxofre e o Mercúrio

O sal é, ao mesmo tempo, conservador de alimentos e destruidor pela corrosão. O alimento sal, condimento essencial e fisiologicamente necessário, é evocado na liturgia baptismal; é sal da sabedoria, símbolo do alimento espiritual. O sal era, para os hebreus, um elemento importante de ritual: toda vítima tinha de ser consagrada pelo sal. O consumo do sal em comum toma, às vezes, o valor de uma comunhão, de um laço de fraternidade. Partilha-se o sal como o pão. Consumir com alguém o pão e o sal significa uma amizade indestrutível. O sal simboliza também a incorruptibilidade. É por isso que a aliança do sal designa uma aliança que Deus não pode romper (Números 18,11; Crónicas, 13,5).O sal pode, também, ter outro sentido simbólico e opor-se à fertilidade. Neste caso, a terra salgada significa terra árida, endurecida. Os romanos jogavam sal nas terras que destruíam para tornar o solo para sempre estéril. Os místicos às vezes comparam a alma a uma terra salgada que deverá ser fertilizada pelo orvalho da graça. Tudo que é salgado é amargo, a água salgada é, portanto, uma água de amargura que se opõe à água doce fertilizadora. Por fim, o sal é símbolo da palavra empenhada, porque o seu sabor é indestrutível.

O enxofre é o princípio activo da alquimia, aquele que age sobre o mercúrio inerte e o fecunda, ou o mata. O enxofre corresponde ao fogo, como o mercúrio à água. É o princípio gerador masculino (yang). Manifesta a vontade celeste e a actividade do Espírito (ex.: chuva de enxofre sobre Sodoma). Para os alquimistas, o enxofre está para o corpo como o sol está para o universo. A sua cor amarela querendo comparar-se à do ouro dá-lhe um sentido de engodo, de falsidade, próprio do senhor das trevas. A chama amarela esfumaçada com enxofre é, para a Bíblia, a anti luz atribuída ao orgulho de Lúcifer. É a luz transformada em trevas. É um símbolo de culpa e punição.

O mercúrio é o símbolo alquímico universal e do princípio passivo, húmido (yin). Corresponde aos humores corporais, o sangue, o sémen, aos rins, ao elemento Água. Segundo as tradições ocidentais, o mercúrio é a semente feminina e o enxofre, a masculina: a sua união produz os metais. Astrologicamente, Mercúrio vem imediatamente após o Sol, astro da vida, e a Lua, astro da geração, isto é, da manifestação da vida no nosso mundo transitório. Se o Sol é o Pai Celeste, e a Lua, a Mãe Universal, Mercúrio se apresenta como o filho deles, o Mediador, o princípio da Inteligência e da Sabedoria. Mercúrio, o deus da mitologia, diligente e provido de asas nos pés, tinha o ofício de mensageiro do Olimpo. Tendo herdado características tanto do seu Pai, como da sua Mãe, apresenta natureza dualista, na qual se confrontam os princípios contrários e complementares: trevas-luz, baixo-alto, esquerda-direita, feminino-masculino, certo- errado, etc. O pensamento em todos seus aspectos nasce naturalmente no indivíduo, da acção e relação entre as tendências activas e passivas, entre o amor e o ódio, a atracção e a repulsão, a simpatia e a antipatia, o desejo e o temor. Cresce e adquire sempre maior força, independência e vigor quando lutam entre si o instinto e a razão, à vontade e a paixão, o entusiasmo e a desilusão. Eleva-se e floresce sempre mais livre, claro e luminoso, conforme aprende a seguir os seus ideais e aspirações mais elevadas, e quando estas conseguem sobrepor-se à sua ignorância, erros e temores, assim como às demais tendências passionais e instintivas. Mercúrio é o agente harmonizador dos contrários, que procura colocar a ordem no caos. Em cada um de nós, o processo mercuriano é o auxiliar do Ego, encarregado de nos desviar da subjectividade obscurecedora. Diante da dupla pressão dos impulsos interiores, ele é o melhor agente de adaptação à vida.

O Galo

É, universalmente, símbolo solar, porque o seu canto anuncia o nascimento do Sol e, por extensão, do surgimento da Luz. Representa a vigilância, pois com o seu canto avisa a todos a boa nova, ou seja, que um novo dia está surgindo. Assim, todo o Maçom, qual galo de vigília, deve estar atento para perceber, na dissipação das trevas da noite que morre (as paixões e os vícios), os primeiros clarões (as virtudes) do espírito que se levanta. O galo é, portanto, a representação esotérica do despertar da consciência e da ressurreição do candidato, que, devendo morrer para a vida “profana”, ressurge num plano mais elevado de espiritualidade.

Autor desconhecido

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