Comunicado do Grão-Mestre da Maçonaria regular Portuguesa, Armindo Azevedo

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Armindo Azevedo, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal – GLRP
Armindo Azevedo, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal – GLRP

Fazendo um enquadramento, o Partido dos Animais e da Natureza (PAN) apresentou em 16 de Dezembro de 2019, um projecto de Lei que visa que os titulares de cargos públicos declarem a sua “filiação ou ligação a organizações ou associações de carácter discreto”. O projecto considera, contudo, que tal declaração deva ser opcional. Recentemente, o Partido Social Democrata (PSD), veio pretender introduzir uma alteração nesse projecto de Lei, tornando a declaração obrigatória.

Numa discussão sobre este assunto, António Lobo Xavier, Advogado, Conselheiro de Estado e comentador televisivo, mesmo afirmando não ter provas ou garantias de que seja verdade, lançou a suspeita, afirmando:

Tenho clientes que me dizem que são vítimas de extorsão por serem ameaçados, se não entregarem dinheiro ou assumirem determinados comportamentos, são perseguidos por uma rede maçónica que vai da política às magistraturas“…

Sobre tudo isto, a Grande Loja Legal de Portugal / Grande Loja Regular de Portugal, na pessoa do seu Grão-Mestre, Irmão Armindo Azevedo, emitiu o seguinte comunicado:

Maçonaria Regular apela ao bom senso e critica insinuações que atentam contra a honra e dignidade da instituição

“A Grande Loja Legal de Portugal – Grande Loja Regular de Portugal (GLLP/GLRP) é a maior obediência maçónica no nosso país reunindo cerca de 3.300 maçons e a única em Portugal reconhecida como cumprindo a Regularidade maçónica, celebrando em 2021 três décadas de trabalho e dedicação constantes para o bem comum, muitas das vezes em conjunto com outras respeitadas instituições da sociedade civil.

Ao longo destes 30 anos, nunca a GLLP / GLRP tomou posições públicas sobre assuntos relacionados com a atividade das instituições do Estado, fossem elas parte do poder Legislativo, Executivo ou Judicial.

No entanto, dada a gravidade dos factos, entende agora a GLLP / GLRP, através da figura institucional do seu Grão-Mestre, emitir as seguintes declarações:

  • A GLLP / GLRP apela ao bom senso das entidades que regem a nossa Nação, para que defendam os direitos e os princípios estabelecidos pela Constituição Portuguesa, e ao entendimento da profundidade das consequências éticas e morais da aprovação de uma Lei que obrigue um homem livre, para exercer uma função para a qual foi eleito, a ter de confessar obrigatoriamente as convicções filosóficas e espirituais que regem os princípios da sua vida.
  • A GLLP / GLRP recorda que a Maçonaria foi atacada inúmeras vezes ao longo da História e tem regularmente lançadas sobre si insinuações e acusações, mais ou menos explícitas. Muito recentemente, tal como sucedeu com as palavras proferidas pelo Dr. António Lobo Xavier – que, recorde-se, desempenha o cargo de Conselheiro de Estado – esses ataques têm como origem personalidades cujas funções e cargos exigiriam atitudes menos levianas, mais responsáveis e não atentatórias da honra e da dignidade alheias.

Qualquer alegação de um ato ilícito deve ser investigada por parte das autoridades competentes. Mas devem igualmente ser sancionadas quer a calúnia sem provas, quer as ofensas sem razão. Mais ainda quando afetam a reputação de toda uma instituição.

A Maçonaria age constantemente no estrito cumprimento e respeito da Lei: “Os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor à Pátria, a submissão às leis e o respeito pelas autoridades constituídas. Consideram o trabalho como o dever primordial do ser humano e honram-no sob todas as formas (10ª Regra fundamental da Maçonaria Regular)”.

Como membros de uma organização singular que se assume pelo seu passado e por tudo o que ele representa como uma das maiores organizações democráticas a nível mundial, os maçons são respeitadores das leis do Estado, defensores da liberdade e promotores da fraternidade. Os princípios da Maçonaria são a liberdade dos indivíduos (instituições, raças, nações), a igualdade de direitos e obrigações dos Homens, a fraternidade entre todos os Homens e entre todas as nações. A Maçonaria respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis. É, pois, natural a nossa vontade de que respeitem igualmente as nossas opções.”

Lisboa, 18 de Março de 2021

Armindo Azevedo
Grão Mestre da GLLP / GLRP

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3 thoughts on “Comunicado do Grão-Mestre da Maçonaria regular Portuguesa, Armindo Azevedo”

  1. José Fava

    Não basta já reagirmos e actuarmos à defesa. Todos (os que sabem ler e escrever) se lembrarão do que foram as perseguições dos diversos regimes totalitários. Foi preciso que morressem muitos maçons para que estes acordassem.
    O Senhor ALX não é um ignorante (ou será?) ataca-nos com a maior violência fazendo lembrar o senhor José Cabral e as perseguições nazis, fascistas e comunistas. O GM do GOL directamente atacado pelo ALX (não confundir com OLX onde ainda há coisas boas) terá com certeza outros objectivos com o seu ataque cerrado à Maçonaria. O que será Medo? de quê? Pensará que vai ter assim mais votos? Bem pode olhar para trás e ver o seu CDS no estado em que está. Foi com atitudes destas que caiu tanto. Onde estão os fundadores daquele respeitado Partido político. Servem-se agora da suspeita parva para atacarem o que não conhecem. Tenham tento!!
    Já o PAN também quis apanhar o comboio mas mais valera que se preocupassem com os animais que tanto precisam de ajuda. A sua proposta traz alguma coisa boa para os seus fins, aumentar o número de votos . Não é assim que lá vão, para isso já há a estrema direita! A ignorância e mais uma vez o medo norteiam este tipos. Há tanto escrito na net que só quem é mal intencionado insiste nos mesmos argumentos da Inquisição para dar cobertura às suas intenções, em vez de se ilustrarem com conhecimentos caluniam.
    Ressalvo nesta resposta o Hitler, que ao menos tinha objectivos muito claros – Sacar aos judeus e maçons o dinheiro e bens que estes possuíam.
    Poderoso Ir.: Armindo Azevedo, que não tenho a honra de conhecer pessoalmente, não será chegada a hora de nos juntarmos e darmos a estes ignorantes a resposta que eles merecem, obrigando-os na barra dos tribunais a justificarem os ataques que nos fazem?
    Sou pela Maç.: Universal e advogo que todos os maçons são uma família de gente de bem e que como se costuma dizer : Quem não se sente, não é filho de boa gente.

  2. Giovani Goulart

    Infelizmente, a história de submissão da Maçonaria em Portugal vem desde os primórdios. Já é tempo de, pacificamente, tomarmos medidas cabíveis, exigindo assim, o respeito, maior reconhecimento e valorização desta Augusta instituição. Qual quer maçom deverá ter orgulho de vestir o seu avental e defender a maçonaria com unhas e dentes, tudo isso por saber, o quão importante é, o papel filantrópico da nossa instituição. Conhecemos todos os “passes” que este jogo de interesses tem em manter a maçonaria sob o domínio eclesiástico e político mas, como somos livres, de bons costumes e respeitadores, nada temos a temer. A maçonaria ajuda mais a sociedade civil do que a maioria dos políticos que, mundialmente só querem proveito próprio e benesses.

  3. Manuel José Pinto dos Santos

    Foi preciso uma provocação para que se reagisse. É pena que os nossos valores fiquem dentro da casa e o silêncio impere. Não nos podemos admirar da reação do grande público que desconhece o que é a maçonaria.

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