Indo ao fundo da questão da Maçonaria

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A primeira pergunta feita ao recém-iniciado Aprendiz quando ele é chamado perante a Loja para provar a sua proficiência no Primeiro Grau, é: “Onde é que foi preparado pela primeira vez para ser feito Maçom?”. Na minha opinião, contém a chave de toda a filosofia da Maçonaria. Quando o candidato é passado para o Segundo Grau, são feitas várias referências à “escada em caracol”. Novamente, isto é fundamental para a compreensão da filosofia subjacente da Ordem. “Aonde é que a escada em caracol realmente leva?”. “Onde está a Câmara do Meio?” Quando é elevado ao Sublime Grau de Mestre Maçom, mais uma vez aprende que “os segredos genuínos” podem ser encontrados no “centro”.

Então, vamos voltar ao básico – os valores fundamentais atemporais, mas oportunos no coração da Maçonaria e a razão pela qual ela sobreviveu e floresceu, “através de todas as suas vicissitudes”, por séculos…

Para compreender e apreciar totalmente de que é a Maçonaria realmente trata, devemos sempre estar cientes de que ela é, antes de mais nada, uma Ordem Iniciática que visa ajudar os homens, por meio de preceito e exemplo, a transformar as suas vidas através da potenciação do seu próprio potencial interno. Apresenta um sistema baseado em graus, de auto-aperfeiçoamento suportado na autodisciplina. Isto é simbolizado pelos dois blocos de pedra que são colocados em cada Loja – um talhado em bruto, o outro modelado e polido. Tem sido dito que toda a Maçonaria está entre aqueles dois símbolos de pedra “que estão à vista na loja para os irmãos reflectirem”. Nunca podemos esperar alcançar a “perfeição” neste estado mortal. Se formos honestos connosco mesmos, sendo humanos, a maioria de nós deve confessar que “fizemos coisas que não deveríamos ter feito e deixámos de fazer aquilo que deveríamos ter feito”. Podemos “avançar em direcção à nossa alta vocação” como homens e maçons.

Para moldar a pedra, o Maçom operativo ou o escultor primeiro escolhem um pedaço de granito ou mármore sem defeitos da pedreira e, em seguida, com um martelo e um cinzel removem habilmente a superfície externa áspera para revelar a sua beleza interna, produzindo um bloco de construção ou uma obra-prima artística. Assim, o grande Michelangelo produziu a figura masculina perfeita de David num bloco de mármore. As magníficas catedrais, abadias e castelos que são a glória arquitectónica da Europa atestam a sua habilidade e arte consumadas.

Para continuar a analogia, admitimos homens de bom carácter após um cuidadoso e completo processo de investigação, votação e aceitação. Uma vez admitidos, os nossos ritos e cerimónias oferecem uma oportunidade de aprendizagem na companhia de homens de confiança que pensam da mesma forma. O slogan frequentemente citado, “Nós agarramos em homens bons e tornamo-los homens melhores” é uma simplificação exagerada. A Maçonaria pode estabelecer o padrão, mas o indivíduo é o único que se pode melhorar a si mesmo. O processo de auto-aperfeiçoamento é uma jornada de descoberta ao longo da vida, cujo objectivo é alcançar o ideal – “um homem justo e recto. Esta é certamente a nossa razão de ser. O objectivo de nos reunirmos na loja, como nos lembram os regulamentos e rituais, é “o cultivo e aprimoramento da mente humana“. Quando entramos na Loja, entramos no templo da mente.

Ao longo dos séculos, a fraternidade adquiriu muitos costumes, usos, tradições e protocolos: a forma da Loja, o ritual, traje formal, paramentos, posição e título, protocolo de ágape e modos de reconhecimento peculiares à Ordem. Alguns deles foram herdados das antigas guildas de pedreiros quando adoptámos e adaptámos as suas ferramentas e termos para ilustrar os nossos princípios morais. Deve-se admitir que muitas destas observâncias foram mantidas e perpetuadas por razões históricas. Outras foram adoptadas de uma era mais formal em que a Ordem se desenvolveu. Em si, elas têm pouco a ver com “o cerne da questão”. Mas o todo é maior do que a soma de suas partes.

Desde o surgir da Maçonaria moderna na Idade do Iluminismo, temos sido definidos como uma “sociedade filosófica de cavalheiros”, que coloca as questões fundamentais que todo o homem pensante se deve perguntar: “De onde é que vimos?” e “Para onde é que vamos?” Se bem entendi, o objectivo da Maçonaria é guiar e ajudar o pesquisador sério a encontrar respostas satisfatórias e recompensadoras para as questões essenciais que definem o propósito da vida. Então, e somente então, seremos “felizes” e estaremos em posição de “comunicar essa felicidade aos outros“.

Raymond S. J. Daniels

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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