Decorria o dia de 31 de Julho de 5820, ano profano de 1820, em São Cristóvão, no Estado do Rio de Janeiro no Brasil, quando nasceu João Inácio Francisco de Paula de Noronha, que por título nobiliárquico criado em carta régia datada de 4 de Dezembro de 5813, do Príncipe-Regente D. João, o futuro D. João VI de Portugal, então governando em nome de sua mãe a Rainha D. Maria I de Portugal, viria a ficar conhecido por 2.° Conde de Paraty.
Filho de Miguel Rafael António do Carmo de Noronha Abranches Castelo Branco, aristocrata, militar, político português, confidente do Príncipe Regente D. João e detentor de uma sesmaria em Paraty (município brasileiro localizado no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro), e que originou a denominação do título que lhe foi concedido, e de Francisca Quintina de Menezes da Silveira e Castro, dama da rainha D. Maria I de Portugal e da Ordem Real de Santa Isabel. Desta união nasce igualmente Rita de Cássia da Conceição da Rocha Isabel de Noronha, irmã do 2.° Conde de Paraty.
João Inácio Francisco de Paula de Noronha viria a unir-se em matrimónio com Francisca da Cruz Lacé Pedrosa tendo resultado desta união o nascimento de cinco filhos, todos varões.
No mesmo mês do falecimento de seu pai (Julho de 5849), o 2.° Conde de Paraty rumava a Lisboa, onde viria a desempenhar vário cargos públicos, de onde se podem destacar a tomada de posse na Câmara dos Pares, a eleição como Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, a presidência de uma comissão de socorros quando Lisboa foi atingida por uma grande epidemia de febre-amarela no ano de 5857 e a de Governador Civil do Distrito de Lisboa.
Ao longo da sua vida foi agraciado com várias distinções como a Grã-cruz da Ordem de Isabel a Católica, Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a medalha da febre-amarela, sendo esta última, numa demonstração da humildade e da modéstia que o caracterizavam, por ele renunciada e devolvida.
Em termos maç∴, a sua iniciação terá ocorrido na R∴ L∴ Tolerância, do G. O. de Portugal entre os anos de 5852 e 5856, não existindo, no entanto, registos exactos e fidedignos que nos possam fornecer uma data concreta.
Uma certeza é o seu nome simbólico, Nun’Álvares Pereira, um presságio dos grandes feitos que igualmente viria a realizar, desta feita entre colunas, relembrando Atoleiros ou Aljubarrota em que o impossível se fez realidade, assim o Conde de Paraty também iria tornar o sonho da união e a ficção da unidade num facto realizável.
Tendo sido eleito como 17.° M∴ R∴ G∴ M∴ do G. O. L. (única ordem maç∴ existente à data) em 5859, transformou a utopia do Uno numa realidade que deu pelo nome de G. O. L. Unido (GOLU), tendo-se tornado assim o 1.° e único M∴ R∴ G∴ M∴ desta Ob∴ Maç∴ unificada.
Foi em 17 de Agosto de 5867 que o G. O. Português passa a integrar o G. O. L., criando-se o G. O. L. Unido, e pouco mais de dois anos depois, em Outubro de 5869, as últimas maç∴ não-alinhadas passam a integrar esta obediência una, como é o caso da Confederação Maç∴ Portuguesa, da Federação Maç∴ Portuguesa, e, entre outras, do G. O. de Portugal.
Esta profícua união durou até 30 de Novembro de 5882, data em que ocorre a cisão na obediência unificada, surgindo então a G∴L∴ dos Antigos M∴ Livres e Aceites de Portugal que passa a ter como M∴R∴G∴M∴ o M∴ R∴ I∴ José Dias Ferreira.
O Ilustre I∴ e patrono desta R∴ L∴, a quem empresta a designação do título nobiliárquico, viria a falecer menos de dois anos após a referida cisão. João Inácio Francisco de Paula de Noronha, 2.° Conde de Paraty partia para o Or∴ Eterno no dia 22 de Abril de 5884, no seio do Palácio Paraty localizado em Santa Isabel em Lisboa.
A romã
Mas falar de Conde de Paraty é falar em união, e abordando esta temática é incontornável aludir à Romã e à sua representatividade da união na diversidade.
Este fruto com origem na Pérsia, e hoje disseminado por todo o mundo, era considerado pelos antigos povos persas, romanos e gregos como uma ponte entre a mortalidade e a imortalidade.
Este pequeno fruto com centenas de sementes idênticas bem acomodadas no mesmo casulo (estudos indicam que uma só fruta poderá conter até 613 sementes) é como símbolo maç∴ um dos menos analisados. Depositada sobre os capitéis das Colunas nas entradas do Templos, ela está acima do campo de visão natural do obreiro, alegoricamente poderíamos conjecturar que, simbolizando um dos valores mais basilares da nossa Ob∴, ela está elevada como alegoria à dificuldade de prosseguir este nobre fim, a União.
A sua simbologia muito tende a ser comparada com o objecto alvo de análise no meu primeiro trabalho apresentado entre Colunas, a Corda dos oitenta e um nós, pois se esta representa a união dos Maç∴, nos seus pensamentos e nas suas acções, no desbastar da pedra bruta e no aperfeiçoamento do homem pelo próprio homem, a Romã representa essa mesma união nas suas belas sementes unidas sem atropelos ou imposição de espaço que não lhes pertence, fazendo recordar os favos de uma colmeia construída por etapas por incansáveis abelhas.
Assim como as abelhas, os Maç∴ trabalham continuamente, numa primeira fase com o objectivo do desbaste da pedra bruta. Numa fase mais avançada, a que se pode designar eventualmente por “Segundo Grau”, quando essa mesma pedra começa a ter a forma cúbica, limando persistentes arestas rombas que pela nossa condição humana teimam em existir, sendo que neste processo de almejar o sonho da pedra polida, indubitável é, que independentemente do estádio do trabalho na pedra, a União como realidade que se quer permanente não deve ser olvidada.
Assim, tanto o R∴ I∴ João Inácio Francisco de Paula de Noronha como a Romã representam a União dos Maç∴, possamos todos nós contribuir com o nosso labor para que o trabalho do Conde de Paraty tenha continuidade e que a simbologia do fruto seja tida como uma meta a atingir.
“Jorge von Lhering” – Comp∴ – R∴ L∴ Conde de Paraty, nº 155 (GLLP / GLRP)

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