Na tradição católica-cristã existem muitos Santos com o nome de João. No entanto, apenas dois deles são consagrados pelos Maçons… São João, “ O Baptista” e São João, “O Evangelista”.
Sobre S. João, O Baptista…
São João, chamado o Baptista e também conhecido como “O Precursor” era filho de Isabel, prima de Virgem Maria, e, portanto, primo de Jesus. Contínuo pregador, baptizou os crentes no Rio Jordão derramando água sobre as cabeças, limpando-as espiritualmente, e ganhando, assim, o epíteto de “Batista”.
Teve uma vida simples e devota. Era também conhecido por viver no deserto, vestindo apenas uma pele de cordeiro andando assim meio vestido meio nu.
Pensa-se que fazia parte de um grupo judaico (os Essénios) que residia na localidade de Qumran, uma zona árida perto Mar Morto. Os Essénios acreditavam na santidade e unidade da vida e em muitas passagens do seu evangelho referem-se à doutrina de amor incondicional a Deus, à Humanidade e a todos os seres da Criação.
João foi preso e decapitado pelo Rei Herodes pela sua recusa em toldar o seu espírito, em modificar a sua mensagem e em contrariar a devoção a Jesus.
No evangelho de Lucas (7:28), vem escrito “ E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Baptista; mas o menor no reino de Deus é maior que ele”
Pureza, humildade, virtude, verdade e o não abandono de si próprio! Virtudes que encontramos também transcritas no Ritual Do Grau de Aprendiz, (pagina 42,43), “Ei-lo, Senhor, exteriormente…., evidente dos falsos louvores que são os atributos do homem abandonado a seu próprio destino”.
São João Baptista foi a “VOZ“, pelo que, analogamente, a maçonaria deverá ser, também ela, a voz da virtude para o mundo profano, proferida por homens de bem e de bons costumes.
Sobre S. João, O Evangelista…
São João, o Evangelista, era apóstolo de Jesus, filho de Zebedeu e de Salomé e irmão de Tiago Maior. Era pescador e oriundo de Betsaida, como Pedro e André, ocupando um lugar de destaque no elenco dos apóstolos.
Os ensinamentos de São João Batista, sendo simples mas rígidos, são dissemelhantes dos de São João Evangelista, que requerem um estudo mais profundo. Foi este último autor do Quarto Evangelho e de três epílogos do Apocalipse, além de ser pregador da palavra do Mestre.
São João Evangelista é representado em regra de cor verde, a mesma que simboliza a caridade e também é cor de vários graus Escoceses.
Em algumas pinturas é representado cercado por 7 igrejas. Na leitura do Apocalipse (11:1) “Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara e também foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, e seu altar e os que naquele adoram”; (11:2)“mas deixa de parte o átrio do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos gentios; estes por quarenta e dois meses, caçarão aos pés a cidade santa”. Estabelecem estes trechos, claramente, uma relação entre a Maçonaria e o Evangelho.
“No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Ele estava com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele,… , e sem ele não era qualquer coisa que foi feita. Nele estava a vida e a vida era a Luz dos homens. E a Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreendem”.
São João Evangelista trabalha a partir do tema Verbo e Luz, ou Verdade e Amor, como elos da mesma cadeia que são a base do amor fraternal e do companheirismo. É ele o nosso Patrono e são estes os Princípios Maçónicos, que em todos devem ser cultivados.
Ambos foram homens de forte carácter e de enorme influência. São João Batista mais rígido e dogmático, São João Evangelista mais intelectual e esotérico. É manifesto que em ambos os patronos prevalecem dois princípios fortemente intrínsecos… a fidelidade e a integridade.
Embora saibamos que eles não eram obviamente Maçons, o que sabemos é que ambos representam a forma perfeita de se ser Maçom… o homem amável, justo e acima de tudo fiel recipiendário da confiança nele depositada. Representam a perfeição inatingível verso a qual, não obstante, deverão os homens livres e de bons costumes caminhar no seu crescimento e aprendizagem.
Erguidas a Deus e sob os auspícios de ambos os Santos de seu nome João, todas as Lojas azuis lhes são dedicadas, sendo estas aquelas onde se trabalham os três graus essenciais da Maçonaria: Aprendiz, Companheiro e Mestre. A Loja de São João tem dois aspectos básicos da iniciação, o Esquadro (São João Batista) e o Compasso (São João Evangelista).
O Esquadro representa o bom senso o respeito pela Lei Divina, o espírito de justiça e a rectidão. Manifesta que o Homem deve regular as suas acções dentro do princípio ético espiritual e sobre o Livro da Lei. É também a jóia do venerável mestre, além de ser a segunda de “três grandes luzes” que ilumina a loja (sendo a primeira o Livro da Lei e a terceira o Compasso)
O Compasso é considerado um símbolo da espiritualidade e do conhecimento humano e a sua posição, sobre o Livro da Lei, (Salmo 133).
Em sessão, o Livro da Lei encontra-se aberto no salmo 133, para que os trabalhos em Loja decoram sempre em venturosa fraternidade e união entre os irmãos, também em cumprimento dos Landmarks da Maçonaria e as suas doze regras.
“Oh! Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união”
F. H.
Referências
- The king of the order, Ernie Bradford
- The holy saints John and Masons, Dean M. Goranson
- The saints John of freemasonry, Samuel Steelman
- Bíblia online – http://www.bibliaonline.com.br/
- Bíblia – Capuchinhos
- Ritual do Grau de Aprendiz (R. E. R.)

- A liberdade na interpretação da simbologia maçónica
- O Painel do Grau de Aprendiz
- São João – uma pequena história
- O Universo e a Maçonaria
- A verdade real – o meu conceito de Maçonaria

