Nullius in Verba (“Nas palavras de Ninguém”)

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Brasão com o lema da Royal Society, Nullius in Verba
Brasão com o lema da Royal Society

Traduzido do latim por “Nas palavras de Ninguém” ou “Sem palavras”, “Nullius in Verba” é o lema da Royal Society, que apesar de não ser uma instituição maçónica, é também uma histórica instituição de Londres. A Royal Society foi fundada no século XVII, em 28 de Novembro de 1660, em que foi concedida uma carta régia pelo rei Carlos II como The Royal Society e é a mais antiga academia científica continuamente existente no mundo. Já teve Robert Moray, Isaac Newton, Christopher Wren [1] e outros como presidentes, e que nos ensina uma valiosa lição: É preciso ler! É preciso verificar!

Basicamente o termo em latim nullius in verba significa não crer em coisa alguma apenas pelas palavras e sim utilizando o método científico, verificável, comprovável, escrito. E isso nos conduz a uma uniformidade consciente e provável daquilo que é enquanto é; daquilo que é fidedigno!

É preciso verificar, é preciso ler, é preciso ver o que está escrito! E isso é deveras importante, sobretudo quando se trata de Maçonaria, de ritualística, tanto para compreender, aprender, e praticar o que está previsto nos nossos Rituais Maçónicos, sem enxertos, sem miscelâneas, sem misturas de ritos ou “macarronadas” de ritos, ou “saladas” ritualísticas e de expressões de diversos Ritos Maçónicos, e outros quejandos… É preciso buscar nos Rituais Maçónicos o como é feito, e, fazer correctamente. É preciso ler! É preciso verificar!

Esta máxima lição de nullius in verba nos adverte e previne sobre não exactamente acreditar, cegamente, (preguiçosa ou indolentemente), como sendo uma “absoluta verdade”, o que somente “ouvimos” e “vemos”, e pelo erro de se replicar deliberadamente o que anteriormente nos foi dito, apenas e unicamente pelo falso princípio de que “porque aqui sempre foi assim… ou, se me ‘falaram’… ou ainda, eu vi assim…, então… que é exactamente assim! E, como eu ‘vi’ fazerem assim!, então, assim eu faço, assim deve ser, assim eu farei (…)” e sempre será assim!. E isto é um erro absurdo!, posto que se assumirmos tais posturas e atitudes, certamente estaremos incorrendo em erro: o de se replicar o erro!, convictamente, simplesmente porque fizeram errado anteriormente, acreditando-se que era a mais correcta e absoluta verdade a ser seguida sempre.

Onde ficariam a uniformidade e a fidedignidade do Rito Maçónico a serem seguidas?

Todos nós maçons, na liturgia maçónica, assim como na vida, todos erramos e erraremos, mesmo buscando a perfectibilidade. Somos seres humanos, somos falíveis. Mas, o mais importante não é o justificar-se, pelo facto de sermos todos seres humanos falíveis, de continuarmos errando e arrogando-se-nos como “eternos aprendizes”, mas, outrossim, devemos em verdade é procurar aprender e fazer o que é certo, e isso é o mais sublime! Assumirmos a consciência de desbastar as nossas pedras brutas, rugosas e ásperas, e lapidá-las ao mais belo, ao mais perfeito e brilhante possível.

No que pertine a esta matéria, especificamente, sobre o correcto desempenhar dos trabalhos litúrgicos maçónicos, é absolutamente harmoniosa, tranquila, pacífica, a questão: tudo ali está escrito no Decreto Maçónico – Ritual; está escrito nos nossos Rituais! Basta ler, entender, e, fazer! Simples assim. Tão simples que se nos foge de ser crível, pelo cepticismo insipiente e pelo vício de uma prática corrente de se “fazer errado”, como se fosse algo explicado como “costume antigo na minha Loja” ou do “aqui sempre foi assim” e praticar-se um erro ou vários erros, porque simplesmente “Magister dixit” (“O Mestre disse”). É preciso ver onde legalmente está escrito e compreender o que fidedignamente está escrito nos nossos Rituais e fazer o que ali nos ensina e está escrito!

Erros podem ocorrer em textos e/ou palavras, eventuais erros podem ocorrer em passagens, termos, e vocábulos nos rituais, mas os livros doutrinários sobre os Ritos Maçónicos existem! e podem, como devem, serem os instrumentos adequados para se socorrer e melhor entender, resolver possíveis e eventuais dubiedades, ambiguidades, ou erros havidos, quando estes ocorrem. As Potências se valem das Old Charges, dos Lankmarks, das Constituições, das práticas consagradas e registradas em Actas Maçónicas e Demonstrações Oficiais por Lojas de Instrução Maçónica, dos verdadeiros e legítimos costumes antigos, dos renomados maçonólogos, livros doutrinários ritualísticos para cada Rito Maçónico e de seus comités responsáveis pelas verificações dos Rituais Maçónicos. E, sempre, é preciso fundamentação conscienciosa até a próxima edição, correcção, nos rituais maçónicos, quando isto for passivo. A busca da verdade, pelo Maçom, deve ser incessante, contínua e sábia. Entrementes, de toda e qualquer maneira, algo é certo e indiscutível, insofismável: É PRECISO LER! É PRECISSO COMPREENDER, É PRECISO VERIFICAR! É PRECISO APRENDER!

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Nota

[1] Presidentes da Royal Society: https://pt.wikipedia.org/wiki/Presidentes_da_Royal_Society

Referências

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