No Dicionário Oxford, “aliado” é definido como uma pessoa ou organização que apoia activamente os direitos de uma minoria ou de um grupo marginalizado sem ser membro desse grupo. Mais especificamente, no contexto do Pride and LGBTQIA+, um aliado educa-se, fala e defende os membros da comunidade queer.
Falámos com o administrador da MCF, Tony Harvey, sobre a importância de ser um aliado para ele, pessoalmente, e como Maçom.
Para si, o que significa ser um aliado da comunidade LGBTQIA+?
Para mim, significa reconhecer que a sexualidade e a identidade de género de uma pessoa são da sua responsabilidade, que uma pessoa não deve ser excluída, condenada ou discriminada com base na sua sexualidade ou identidade de género. Como pessoa heterossexual que se sente confortável com o sexo que me foi atribuído à nascença, não consigo sequer imaginar as lutas e a dor sentidas por aqueles que enfrentaram a desaprovação e a discriminação dos outros. No entanto, saúdo a sua coragem em defenderem quem são e sinto-me feliz por ser visto como um aliado.
Enquanto Maçom, como é que acha que os valores de Integridade, Amizade, Respeito e Caridade se alinham com o facto de ser um aliado?
Acredito que se os nossos valores como Maçons significam alguma coisa, então certamente que devemos respeitar e incluir os membros da comunidade LGBTQIA+. A sexualidade de uma pessoa é um assunto que lhe diz respeito e não a deve colocar fora do âmbito do amor fraterno, da amizade ou do respeito. Desde os seus primórdios como organização iluminista, a Maçonaria tem sido um espaço em que pessoas cumpridoras da lei e com opiniões diversas se podem reunir. Actualmente, devemos continuar da mesma forma, sendo inclusivos e apoiando as pessoas de todas as orientações sexuais legais. De igual modo, creio que temos o dever de continuar a incluir e a oferecer apoio vitalício aos nossos membros que foram iniciados na Maçonaria como homens e que, posteriormente, se identificam como mulheres. Por outras palavras, a fraternidade e o respeito são para toda a vida e não terminam quando alguém passa por essa transição.
Sempre teve estas convicções ou foi algo que teve de aprender ao longo do caminho?
Não, não tive. Os meus anos de formação foram na década de 1960 e no início da década de 1970. Nessa altura, a cultura do recreio era racista e homofóbica. A escola só para rapazes que frequentei não era tolerante para com quem fosse considerado homossexual. Um professor foi obrigado a demitir-se quando se descobriu que era homossexual. Mas ao longo da minha vida questionei-me, desafiei-me e eduquei-me. A minha crença fundamental nos valores e princípios do Escutismo e, nos últimos trinta e dois anos, da Maçonaria, levaram-me a mudar essas crenças iniciais. Também reconheço que posso ter preconceitos inconscientes persistentes, por isso continuo este processo de aprendizagem.
O que diria a um colega Maçom que queira aprender mais / ter uma mente mais aberta?
Incentivá-los-ia a falar com pessoas da comunidade LGBTQIA+, a ouvir as suas histórias e a vê-las como pessoas e não como rótulos, a identificar e a concentrar-se no que têm em comum e não nas suas diferenças. Também discutiria as nossas diferentes interpretações dos nossos valores e as implicações desses valores nas nossas atitudes e comportamentos em relação à comunidade LGBTQIA+.
Na sua opinião, de que forma o apoio da MCF ao mês do Orgulho está em consonância com a nossa visão para a sociedade: “Todas as pessoas têm a oportunidade de ter uma vida positiva, cativa e plena, especialmente as que são carenciadas, desfavorecidas ou marginalizadas”?
Para mim, o apoio da MCF ao Orgulho está perfeitamente alinhado com a nossa visão e valores. Como é que podemos, em consciência, excluir pessoas desta visão com base na sua sexualidade ou identidade de género? “Toda a gente” significa certamente ‘toda a gente’. Reconheço que algumas pessoas estão preocupadas com o facto de o Orgulho poder ter uma agenda mais política que pode ultrapassar as linhas político-partidárias. Não é esse o meu entendimento. Encorajo aqueles que têm essa preocupação a investigar os factos, a ver o que o Orgulho representa e como está organizado, e a separar o Orgulho em si das organizações que também o apoiam e que podem ter uma agenda política.
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
Notas
[1] A Fundação Maçónica de Beneficência (MCF), a Instituição de Beneficência da Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE), constrói vidas melhores, encorajando oportunidades, promovendo a independência e melhorando a vida dos Maçons, das suas famílias e da comunidade em geral.
Através do trabalho da MCF, a Maçonaria está a ajudar a resolver algumas das questões mais importantes da sociedade através de subsídios a instituições de caridade locais e nacionais, e de parcerias com organizações líderes no sector.
Com subsídios que totalizam cerca de 5,5 milhões de libras por ano, a MCF ajuda milhares de pessoas desfavorecidas e vulneráveis a viverem vidas felizes e gratificantes e a participarem ativamente na sociedade.

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