Origens e evolução dos nossos paramentos maçónicos

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Avental de George Washington, paramentos
Paramento (avental) de George Washington

Hoje vamos fazer uma viagem! Uma viagem no tempo! Vamos recuar até às supostas origens da Maçonaria no século XVIII. Estamos em Londres. As guerras religiosas estão a assolar, a despedaçar corpos e povos. Um punhado de indivíduos reúne-se, procurando juntar-se num clima de paz.

Estes homens são católicos, protestantes e anglicanos. Decidiram criar a Maçonaria. Mas, para o fazer, precisavam de algo que os unisse. Por isso, procuraram histórias comuns. A Bíblia! Vejam o templo de Salomão! Este rei era um construtor, um amante da arte, um construtor de templos e um defensor da justiça. É um bom começo, mas não é suficiente. Os maçons tomaram emprestado todo um mundo de objectos, símbolos e rituais, a não ser que tenha sido o contrário. Historiadores diferentes têm pontos de vista diferentes.

Os maçons reuniam-se em tabernas, porque na altura ainda não existiam templos. É preciso saber distinguir entre os momentos em que se está num bar com os amigos, a beber um copo, e os momentos em que também se vai a um bar, mas para trabalhar para o melhoramento material e moral da humanidade. Então, o que é que se pode fazer? Bem, basta estabelecer alguns rituais e redecorar. Originalmente, o tapete da Loja era desenhado a giz directamente no chão e depois apagado no final da sessão. Algumas pessoas não devem ser muito boas a desenhar, ou um pouco preguiçosas, ou ambas as coisas, e decidiram criar tapetes de Loja prontos a usar! Que maravilha!

Não só isso, mas também precisávamos de um fato! Como nos estamos a inspirar nos maçons operativos, vamos usar o famoso avental. Recordo-vos que a ideia é que usamos este avental para nos protegermos enquanto cortamos pedras, usadas na construção do templo de Salomão (entre outros).  É o símbolo do trabalho operário. No início, é um pouco desajeitado, por isso fica com a abeta para proteger a sua camisola preferida. Depois, com a experiência, pode dobrar a abeta, uma expressão que entrou agora na linguagem comum.

Originalmente, os aventais eram feitos de pele de animal, muitas vezes de cabra, um material conhecido pela sua flexibilidade e facilidade de manuseamento. Alguns já eram feitos de tecido. Os que sobreviveram são frequentemente pintados. Nos séculos XVIII e XIX, os aventais eram muito trabalhados, com uma composição rica e abundante.

No século XIX, os símbolos maçónicos impuseram-se. É preciso dizer, podia encontrar-se a estrela flamejante de cabeça para baixo, a lua e o sol invertidos. Cada símbolo encontrou progressivamente o seu lugar. Os maçons trocaram as tabernas e as mansões privadas por templos mais duradouros, construídos para… os trajes. No século XVIII, a letra I e a letra J eram consideradas a mesma letra. Por definição, ainda se podem ver pratos ou aventais com uma coluna I e B.

Podemos constatar que os aventais não são imunes às variações da moda, das épocas e dos regimes políticos. As lojas adoptadas em França na década de 1740 escolheram os seus próprios símbolos da Bíblia: a arca de Noé, a árvore e a serpente, a escada de Jacob, etc.

Durante o Primeiro Império, podemos constatar, olhando para os aventais expostos no museu da Rue Cadet, que os motivos se simplificavam consoante o grau hierárquico. Os Imperia (paramentos do Império) multiplicam-se nos aventais, tal como as homenagens a Napoleão que se espalham pelas lojas. As lojas podiam ser rebaptizadas ou podiamm ser criadas novas lojas, com referências ao Imperador nos seus títulos.

No século XIX, a pintura de aventais parece ter entrado em declínio, em benefício do bordado. Podemos apenas constatar que, nalguns casos, talvez os mais belos, os que chegaram até nós estão de novo muito preenchidos. Por vezes, podemos perguntar-nos se estes aventais não seriam sinais exteriores de riqueza: quem tivesse o avental mais bonito, mais bordado, mais bordado a ouro ou mais brilhante. Esta atracção pela ornamentação é também bastante emblemática do século XIX.

Na minha humilde opinião, há uma questão que os maçons não se colocam suficientemente: onde são feitos os meus paramentos? Quem os fabrica? Em que condições?

Voltemos mais uma vez às origens. Segundo Pierre Mollier, inicialmente, as mulheres dos Irmãos faziam os aventais. Uma segunda solução também era possível. Recordo que, nessa altura, não existia o pronto-a-vestir, pelo que as pessoas abastadas tinham os seus próprios alfaiates. Estes podiam, por vezes, ser encarregues de fazer aventais.

Ainda segundo Pierre Mollier, a criação de paramentos maçónicos foi profissionalizada em 1802/1803, com a criação de uma loja específica no Palais-Royal. Brun e Guérin eram os decoradores especializados sobre o Império. A profissão vai-se formando progressivamente. Inicialmente, os aventais eram impressos. Incluíam também estampas. A técnica do stêncil pintado foi igualmente utilizada. A profissão estava geralmente dividida em função do género: os homens eram alfaiates e as mulheres bordadeiras. É interessante notar que, na mesma época, na Bretanha, os homens bordavam e as mulheres costuravam. Entre os grandes nomes de decoradores, alguns deixaram a sua marca em Pierre Mollier: Tessier, por exemplo.  Em frente ao Grande Oriente de França (GODF), na rue Cadet, perto da actual florista, Loton produzia paramentos. Quando fechou, a Gloton comprou-a. Para os curiosos e novos entusiastas, devem saber que no GODF, na biblioteca, conservamos uma colecção de catálogos de vendas e desenhos que datam de 1840 a 1860, incluindo modelos desenhados a caneta e aguarela que datam de 1860.

O director do Museu da Maçonaria considera que a criação de desenhos bordados à mão em França cessou (ou tornou-se extremamente rara) na década de 1980. Desde então, o mercado oferece desenhos bordados à máquina, na melhor das hipóteses em França, na pior das hipóteses na China, na Índia e noutros locais, em condições certamente muito estranhas, tendo em conta o preço de venda destes desenhos.

Julie le Toquin

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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