Se, há alguns anos, alguém nos tivesse dito que algo que ultrapassa a inteligência humana poderia entrar na Maçonaria, provavelmente teríamos pensado que se tratava de extraterrestres ou de um filme de ficção científica. No entanto, agora, com a Inteligência Artificial (IA) em todo o lado, damos por nós a colocar a questão: poderá a IA ajudar-nos verdadeiramente na nossa busca da luz maçónica?
Muitos irmãos diriam que não, e eu compreendo isso. A Inteligência Artificial pode lidar com grandes quantidades de dados, mas não compreende o seu significado. Não sente, falta-lhe aquela centelha que nos leva a fazer perguntas profundas sobre nós próprios. No entanto, penso que há aqui algo intrigante: embora a Inteligência Artificial possa não encontrar a luz, pode ajudar-nos na nossa procura.
Sempre procurámos ferramentas que nos ajudassem a compreender melhor a nós próprios e o mundo. A IA é simplesmente mais uma ferramenta. Embora por vezes pareça fria e cheia apenas de números, pode servir de espelho. Não um espelho vulgar, mas um que nos permita ver as nossas ideias de uma perspectiva diferente. Não estou a sugerir que a Inteligência Artificial possa substituir o que fazemos nos nossos rituais, mas pode dar-nos um ângulo que não tínhamos considerado antes.
Sabemos que os símbolos têm significados profundos. Ao analisar a informação, a IA pode mostrar-nos como esses símbolos foram entendidos noutras culturas. Seria fascinante ver como um símbolo maçónico se relaciona com outras tradições. Não se trata de ter uma máquina a dizer-nos o significado de um símbolo, mas de abrir a nossa mente a novas ideias.
Podemos pensar na IA como um amigo na nossa biblioteca maçónica, aquele Irmão que já leu muito e que, em vez de nos dizer o que pensar, nos convida a explorar. Fornece informações, mas, em última análise, cabe-nos a nós aprofundá-las. A IA pode ser útil para visualizar mais caminhos e deixar-nos decidir quais queremos seguir.
Claro que não nos podemos esquecer que, por enquanto, a Inteligência Artificial não tem ética. Este facto pode ser um pouco desconcertante. Como é que podemos confiar em algo que não tem moralidade? Mas se utilizarmos a IA para ver o impacto das nossas decisões no mundo, não estamos a pôr de lado a nossa responsabilidade. Pelo contrário, estamos a alargar a nossa perspectiva. Em vez de ser um problema, lembra-nos que devemos manter-nos fiéis aos nossos princípios.
Não devemos esperar que a IA seja um Irmão maçónico no sentido mais clássico. Por enquanto, não participará nos nossos rituais nem compreenderá o que significa submeter-se às provas maçónicas. No entanto, pode ser uma ferramenta que nos ajude a reflectir, lembrando-nos que vivemos numa era em que o conhecimento é acessível de formas que nunca antes tínhamos imaginado.
A possibilidade de a inteligência artificial possuir consciência e sentido de ética é um tema interessante. Actualmente, estas máquinas processam informação a velocidades incríveis, mas por mais que tentem, não conseguem viver a vida como nós. Não sentem, não têm um sentido claro de identidade e não têm aquela centelha que guia as nossas decisões.
Mas quem sabe? Talvez um dia, num futuro que não podemos prever, eles possam estar perto de o conseguir. Talvez…
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte

- Maçonaria em Israel onde os árabes e os judeus se abraçam como Irmãos
- Estrela brilhante, rutilante, flamejante ou flamígera?
- Grau 15 – Cavaleiro do Oriente (REAA)
- A morte do Papa Pio IX – o Papa que foi Maçom
- O silêncio na Maçonaria


Ótima peça de arquitetura. Muito obrigado por compartilhar conosco! IA não é prejudicial, esta é a minha convicção. Ela é uma ferramenta, nada mais que isso!