A Igreja Católica opõe-se à construção de um edifício doado pela Maçonaria nas Filipinas

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Maqueta do edifício a ser contruído em Dumaguete
Maqueta do edifício a ser contruído em Dumaguete

Abraçar a fraternidade universal é complicado. Com as recentes boas intenções de ‘Fratelli Tutti’ ainda presentes, a Igreja Católica colidiu com a sua própria realidade fundamentalista em Dumaguete. Quando a primeira pedra do grande obelisco planeado, foi colocada há três semanas no Parque Manuel Quezón desta cidade filipina de Dumaguete, nada previa um conflito. O monumento constitui uma doação pessoal à cidade de um Mestre Maçom nativo, o Prezado Irmão Ramas Uypitching, que financiará integralmente o projecto.

Depois de concluída, a propriedade será transferida para o município, que exercerá o controle sobre o seu uso. Este edifício, que será o mais alto da cidade e oferecerá vistas únicas, tornar-se-á um foco de atracção turística. Não é um obelisco típico, mas sim um edifício multidisciplinar de 18 andares, com espaços que a cidade pretende dedicar à promoção do seu património, da cultura ou das artes.

Conforme relatado pela Agência de Informação das Filipinas, o Presidente da Câmara,  Felipe Antonio Remollo presidiu à cerimónia e um padre católico da catedral próxima procedeu à bênção durante o lançamento da primeira pedra. O querido Irmão que promove o projecto com os seus fundos pessoais dedicou o projecto a Deus: “Dediquei a minha vida a Si, como um verdadeiro e fiel cristão. Agora, sinto que é hora de deixar um legado, não só para nossa querida irmandade, uma irmandade de homens sob a paternidade de Deus, mas porque amo Dumaguete“, disse ele.

Nas últimas horas, a Igreja Católica deu uma volta copernicana à história deste obelisco. De acordo com a Agência Filipina de Notícias, o Conselho Pastoral da Catedral em conjunto com 38 outras organizações da Igreja Católica Filipina pediram ao Governo das Filipinas que pare a construção. O vigário judicial da diocese, Monsenhor Gamaliel Tulabing, explicou ao jornal Licas que “um obelisco é uma estrutura pagã” – os meios de comunicação locais não demoraram a lembrá-lo do da Praça de São Pedro – mas o mais relevante é que ele se opõe à Maçonaria pelo seu carácter “não sectário” (sic), que considera todas as religiões por igual. Fratelli Tutti?

Obelisco no centro da Praça de S. Pedro
Obelisco no centro da Praça de S. Pedro

A oposição da Igreja Católica à construção deste monumento e o seu ataque à Maçonaria por ser uma instituição que abarca todas as expressões da espiritualidade humana abriu o debate da opinião pública na província filipina de Negros Oriental. O Negros Chronicle argumentou em editorial:

José Rizal, venerado herói nacional, era Maçom e a sua estátua está erguida no centro do Parque de Quezon em frente à igreja católica. Mas foi chamado de herege e desprezado pelos frades. Já não existem os dias dos frades e os Maçons não são hereges. Se a estrutura de um obelisco é a peça central do monumento na Praça de São Pedro no Vaticano, porque é que esta torre não pode ser construída dentro do Parque Quezon, propriedade do governo? Será que a igreja ou o clero tentarão influenciar a decisão do governo municipal sobre onde construir a torre Dumaguete? O que se está a passar agora com a separação entre igreja e estado?”

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

  • Equipo de Comunicación Gran Logia de España – Grande Oriente Español

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