Grande Loja Legal de Portugal / GLRP – Comunicação do Grão-Mestre – Solstício de Inverno de 2020

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Armindo Azevedo, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal – GLRP inverno
Armindo Azevedo, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal – GLRP

Comunicação do Grão Mestre aos Irmãos por ocasião do Solstício de Inverno

Lisboa, 21 Dezembro de 6020

Meus Queridos Irmãos,

Comemoramos hoje, dia 21 de Dezembro, o Solstício de Inverno, um fenómeno astronómico que acontece todos os anos, o dia mais curto do ano e, consequentemente, a noite mais longa. A partir desta data, a duração do dia começa a crescer e a luz inicia a sua ascensão sobre a escuridão.

E para a Maçonaria é sempre um jubilo saudar o evento que nos indica o fim da obscuridade face ao advento da iluminação, de que tanto precisamos para derrotar as trevas com que nos defrontámos nestes tempos recentes – e de que ainda precisamos para robustecer as nossas praticas e com isso dar vida às Lojas – e entrelaçar ainda mais a fraternidade e união entre os Irmãos tão carecidos do vibrante exercício ritualístico e do franco convívio, onde a egrégora conduz ao nosso desenvolvimento pessoal e maçónico.

A verdade é que a terrível pandemia tem sido mais feroz, mais prolongada e mais devastadora do que antes se previa para a humanidade e que tem afectado muito a nossa Augusta Ordem, aqui e em todo o mundo.

Mas apenas a iluminação – que vem do G∴A∴D∴U∴ – nos levará, como sempre, ao bom caminho, o mesmo será dizer que só com trabalho, luta e persistência, traduzidos em ciência e em conhecimento, nos conduzirão para fora desta calamidade. E é nisso que todos os Maçons acreditam e aceitam, e no dia-a-dia porfiam para que aconteça.

Chegamos à recta final deste terrível 2020 com uma nota de esperança, na medida em que o processo de vacinação contra a Covid-19 vai sendo conhecido.

Sabemos agora que ao longo do próximo ano, e começando pelos grupos de cidadãos em maior risco, poderemos então, em diferentes fases, vacinarmo-nos para protecção contra um vírus que, desde há cerca de 12 meses paralisa sectores económicos inteiros, encerra empresas, lançando milhões no desemprego e retirando a vida aos que nos são próximos, com a contagem das vítimas em todo o planeta, a ultrapassar já o milhão e meio de seres humanos.

No entanto, não devemos ignorar que a vacina pode não resolver tudo, e que ainda há muitas incertezas e desconhecimento da comunidade científica, que o aumento rápido de uma variante do SARS-COV-2 com múltiplas mutações da proteína “spike” – recentemente observados no Reino Unido -, trouxe à evidência.

Mas temos de acreditar que os preceitos são verdadeiros, e que o esforço da vacina, e da vacinação, resulta já na esperança feita realidade e, em breve, o homem esclarecido e prático, vencerá mais um turbilhão de ignorância e do incerto, em que vivemos no planeta Terra.

E sempre assim será, como antes tantas vezes tivemos de derrotar outras enfermidades e outras terríveis ocorrências e acontecimentos.

Agora, com a previsão das mudanças é preciso agir, no sentido de ver quando poderemos retomar os nossos trabalhos em segurança, porém, tal só poderá ocorrer quando a saúde dos Irmãos estiver garantida.

Temos reiteradamente chamado a atenção para outro dos grandes desafios dos próximos anos, e que será o de nos unirmos contra o que desregula a natureza e prejudica a sobrevivência humana e todo o ecossistema planetário, com a sua incontável biodiversidade.

Mais do que não devermos, não podemos deixar que as justificadas preocupações com as nossas condições, a curto e médio prazo, nos façam ignorar uma calamidade com data marcada no calendário se, em cada atitude e em cada gesto individual e colectivamente, nas famílias como nas empresas, não contribuirmos para a sustentabilidade do planeta e para minorar os efeitos negativos ao nível ambiental.

Tempestades, ciclones e outros eventos meteorológicos extremos têm causado enormes prejuízos às nossas vidas e à economia urbana. São muitas as consequências, e não podemos dizer, como no passado, que as mudanças climáticas são uma ameaça silenciosa. Pelo contrário são uma ruidosa realidade do tempo presente.

A GLLP/GLRP, no quadro dos desafios éticos e cívicos, subscreveu a Declaração das Grandes Potencias Maçónicas integrantes da VI Zona da Confederação Maçónica Interamericana (CMI), organizada pela Grande Loja do Chile, destinada a combater as consequências das alterações climáticas – ao cumprir-se o quinto aniversario do chamado Acordo de Paris – que afectam toda a Humanidade.

Como salientou António Guterres, a ameaça climática é “muito mais grave do que a pandemia em si”. “É uma ameaça existencial para o planeta e para as nossas próprias vidas”, referiu. “Ou estamos unidos ou estamos perdidos”, avisou o secretário-geral da ONU, apelando, em particular, à adopção de “verdadeiras medidas de transformação nos domínios da energia, transportes, agricultura, indústria, no nosso modo de vida, sem as quais estamos perdidos”.

Estas questões não podem ser-nos alheias, nem devemos vê-las com distanciamento. Devem, pelo contrário, ser motivo das nossas preocupações e acções diárias, para que as gerações futuras tenham a oportunidade de existir com uma qualidade de vida equivalente àquela que nós próprios herdámos.

Perante estes desafios, a Maçonaria como Instituição Universal essencialmente filosófica, espiritual e iniciática, que assume o humanismo como pedra angular da sua doutrina, deve continuar a trabalhar através da reflexão ética, na defesa das acções que promovam a justiça ambiental e climática, colaborando com as instituições nacionais e internacionais que permitam alterar as condutas das sociedades, para evitar o colapso do sistema ambiental, social e económico resultante das alterações climáticas.

Bem sei que tem sido difícil e até dramática, a situação de muitos Irmãos, seja pela solidão, abandono, doença, desemprego ou outros infortúnios decorrentes da pandemia e a que nem sempre se pode ou consegue acorrer com efectividade, mas que, sempre que tomámos conhecimento, acorremos e continuaremos a estar presentes.

Também sei de muitos Irmãos que agem por sua conta, ou em diferentes Instituições e Associações, ajudando a menorizar o sofrimento de quem precisa de amparo ou auxílio. Para esses, o meu agradecimento, para que nunca esmoreçam. E a todos, para que façam o que podem e devem fazer, tal como juramos perante o G∴A∴D∴U∴ no dia da nossa iniciação.

No entanto, e para além das comparações, não haverá ninguém que não suspire de alívio ao ver este ano para trás das costas – citando Jorge de Sena – vemos finalmente “uma pequena luz bruxuleante, brilhando incerta, mas brilhando, aqui no meio de nós”.

Devemos, assim, reforçar ainda mais a nossa intervenção ao longo do desafiante ano de 2021, na medida em que, sempre de acordo com as normas do Governo e a protecção de cada um de nós e dos outros, formos regressando a uma prática maçónica assente, como é desejável e mesmo indispensável, tanto na proximidade física como na espiritual.

Para os Maçons, os rituais sendo actos simbólicos, representam os valores que produzem uma comunidade coesa, que é capaz de harmonia e de um ritmo comum, sem os quais cada um de nós se encontraria isolado na sua humanidade.

Vivemos tempos de crise em que a Espiritualidade tem uma importância recrudescente. Se é verdade que, por força da pandemia, confiamos cada vez mais nos avanços da ciência, não é menos verdade que assistimos a um despertar do interesse pelo lado transcendente da vida. Ao regular as emoções, a Espiritualidade tem efeito positivo na saúde, funcionando como amortecedor e consolo.

A pandemia é espiritualmente uma das épocas mais escuras de todas, mas a luz do maçon nunca se extinguiu. Talvez, uma cintilação débil e frouxa, mas sem dúvida uma luz verdadeira, capaz de guiar os nossos passos no caminho da paz e da perfeição.

Nós, Maçons, sabemos do que falamos, sendo que a nossa sobrevivência e evolução assenta na fraternidade, na amizade e na comunhão de valores que partilhamos e nos ajudam em momentos difíceis, num sentimento de união com algo superior que nos acolhe e nos transcende.

Devemos cultivar a fraternidade, porque somos Irmãos através de uma via ritual e iniciática, não só com todos os Irmãos, mas também com toda a Humanidade. Se a Fraternidade funcionar o maçom nunca estará só.

É verdade que temos sentido a falta das nossas reuniões, dos nossos Templos, dos Rituais e dos Ágapes . Os Rituais na nossa Ordem iluminam o caminho místico para a espiritualidade e fraternidade.

O progresso na Maçonaria de todo o Irmão Iniciado é gradual, por degraus sucessivos, tal como a aprendizagem e compreensão de toda a sua espiritualidade.

O verdadeiro conhecimento maçónico nunca será alcançável apenas pela explicação oral, escutando palestras ou estudando e lendo livros. Estes são certamente úteis para aqueles mais zelosos, para os orientar na prática e experiência pessoal. A Luz significa a abertura da natureza intelectual e espiritual do candidato à Luz, metáfora da Luz Criadora, elevando-o até ao Ser Supremo.

Apesar de todas as guerras, da miséria, da fome, dos extremismos e totalitarismos, e de todos os males que assolam a nossa vida e a Humanidade, nós Maçons temos de darmo-nos, no sentido do verdadeiro amor fraterno, a todos aqueles que precisam.

“O Mal não está confinado às guerras ou às ideologias totalitárias. Hoje revela-se com mais frequência quando deixamos de reagir ao sofrimento de outra pessoa, quando nos recusamos a compreender os outros, quando somos insensíveis e evitamos o olhar ético silencioso”, segundo Bauman.

Meus Queridos Irmãos, temos uma inabalável certeza! Vamos regressar mais fortes, mais determinados, mais unidos, neste caminho e tarefa que é de todos nós.

Com essa convicção, nós os Maçons iniciaremos o ano de 2021 motivados e energizados, para um trabalho quotidiano de melhoria de nós mesmos, dos outros, da sociedade, e do mundo a que todos pertencemos. Só assim, solidário e envolvente, faz sentido o trabalho maçónico. Um ano virá que poderá ser visto como “o melhor de sempre”, se assim o quisermos.

“O Natal és tu, a luz de Natal és tu, quando iluminas com a tua vida o caminho dos outros com a bondade, a paciência, a alegria e a generosidade.”

Meus Queridos Irmãos, Um bom Natal, Um Santo Natal!

Saúde, Paz e Amor Fraterno.

Recebam um abraço fraterno,

Armindo Azevedo – Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

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2 thoughts on “Grande Loja Legal de Portugal / GLRP – Comunicação do Grão-Mestre – Solstício de Inverno de 2020”

  1. José Antônio Cerqueira Santos

    Gostaria de saber como voltar e sair do meu estado de adormecido. Algum irmão me pode ajudar nesse sentido?? E ingressar numa nova loja… Enorme TAF:.

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