A Cerimónia de Sagração e Inauguração de um Templo Maçónico se reveste de diversos simbolismos que nos levam a especular sobre as suas origens.
O cenário simbólico representa que os trabalhos de Construção do Templo foram interrompidos e abandonados estando o templo às escuras, nas trevas. (e aqui temos referência histórica do abandono dos trabalhos após a morte de Hiram).
Tal cerimónia é conduzida pelo Grão-Mestre ou seu representante, que vão restituir a LUZ ao templo e aos trabalhos que foram interrompidos. Os oficiantes levam a Luz de volta ao templo.
Tal costume somente aparece na Maçonaria a partir da existência de um Grão-Mestre para a realizar de tal tarefa. E isto leva-nos à fundação da primeira Grande Loja constituída que foi a Grande Loja de Londres e Westminster em 1717.
Porém se visitarmos a história, veremos que tal costume de restituir a Luz, principalmente através de velas é muito antigo. Tal tradição encontramos no Candlemas, o festival de luzes.
A festa da Candelária é celebrada no dia 2 de Fevereiro em muitos países e marca o retorno da luz, símbolo de protecção e prosperidade, após o sombrio período do Inverno no hemisfério norte. Esta festa que se tornou cristã comemora como seu simbolismo a apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém, referindo-se a ele como a luz do povo de Israel. Neste dia, os cristãos levam velas para serem benzidas na igreja.
A palavra Candelária deriva de candela que significa vela, portanto Candelária também é conhecido como o festival da luz. É comemorado em 2 de Fevereiro para homenagear a luz que afasta o mal e a morte e garante a prosperidade, e o seu papel como luz para iluminar as nações pagãs.
A Igreja criou esta celebração para substituir os cultos pagãos que colocavam a luz no centro dos seus rituais. Os romanos de facto realizavam procissões iluminadas por tochas em Fevereiro para purificar a terra no final do Inverno. Era também o mês da Lupercalia, um festival de purificação realizado em Roma em 15 de Fevereiro para reavivar a fertilidade por meio da liberação de forças vitais.
O Dia de la Candelária é um feriado no México, quando procissões e grupos de dança invadem as ruas. As famílias se reúnem e comem tamales, um prato mesoamericano consumido pela primeira vez há mais de 5.000 anos.
No Luxemburgo, Candlemas é chamado Liichtmessdag. As crianças carregam lanternas enquanto vão de casa em casa para desejar saúde e felicidade aos habitantes. Eles cantam canções tradicionais e recebem doces em troca.
Candlemas ou Candelária homenageia o fim do Inverno e o retorno da luz, por isso vários provérbios o ligam ao clima, ao frio ou ao retorno do sol.
Locais para a realização das reuniões da Lojas maçónicas anteriores a 1717 variavam muito, desde locais afastados como no topo de montanhas ou no fundo dos vales, longe de qualquer burgo, e onde não se pudesse ouvir canto de galo ou latido de cão, como nos diz os textos dos Old Charges ou Obrigações Antigas, até a realização das reuniões na tabernas, em salas reservadas entre outros.
Já na Escócia sabemos que lojas se reuniam em Edimburgo e em Killining em locais que hoje são conhecidos como Lojas-Mães e de onde se constituíam outras lojas a partir de cartas patentes.
Porém a restrição de se realizar Lojas maçónicas em determinados locais vieram pelas Grandes Lojas, requerendo assim que o Grão-Mestre as aprovasse e as consagrasse.
Bernard Jones na sua obra Freemasons Guide and Compendium relata-nos que os locais para as reuniões de Loja deviam seguir requisitos sancionados por sua Grande Loja, e não se podiam mudar para outro local a menos que aprovado pela Grande Loja.
Acabou sendo uma regra da Grande Loja Inglesa, que uma Loja, a menos que dispensada, somente se poderia reunir em local aprovado e consagrado pelo Grão-Mestre. Tal versão é encontrada em 1773.
Uma Loja não se podia reunir numa casa particular, o que acontecia comumente. Curiosamente, uma das primeiras lojas de nº 50 fundada pelo Duke de Wharton que foi Grão-Mestre, funcionava no seu próprio apartamento em Madrid em 1728!
Já na Escócia, em 1670 um estatuto da Loja de Aberdeen proíbe lojas em moradias e somente em locais onde ninguém pudesse os ouvir ou ver, e as reuniões sábias deviam ser realizadas em campo aberto, no alto das montanhas ou no fundo dos vales.
Outros costumes se encontram nos dados da Loja Castle of Harmony nº 26 que se reuniu no mês de Junho de 1810 no topo do campanário da Igreja de São Nicolas Acons.
A real origem da cerimónia escrita nos Rituais Especiais onde estão contidos é incerta pois um grave erro que inunda as Grandes Lojas é a de não manter o nome dos Irmãos que escreveram os rituais e cerimónias ao longo do tempo, perdendo assim parte da história das mesmas. Seria pura ilusão e inocência pensar que tais textos, ricos em simbolismo e tradição caíram dos céus, em algum momento Irmãos dedicados ao estudo compilaram tais textos que foram posteriormente adoptados pelas Grandes Lojas. Vemos isso com os rituais, painéis, instruções e tudo o mais, onde se ocultam os nomes dos seus autores, apropriando-se indevidamente dos seus conhecimentos.
Pesquisa por Alberto Feliciano

- Consagração da GLRP – 29/06/1991 – discurso de Fernando Teixeira
- Pedra Bruta
- As Obrigações dos Maçons: II – Autoridade civil
- Boletim Official do GOLU: diálogo da Maçonaria Portuguesa e Brasileira (1869 – 1909)
- Consagração da R:. L:. Conde de Paraty


Gostei dá matéria esclarece muito bem o seu significado, poucos irmãos sabem a origem . Lúcio Flávio Correia de Oliveira, Travessa Frei Joaquim Camelli, 154 São Caetano Itabuna- BA email [email protected].